Era sempre a mesma cena. Entrava em casa com as pernas bambas e mal agüentando o peso da consciência. Tirava os sapatos e os jagava ali mesmo perto da cama; a roupa, como sempre, suja de todas as loucuras possíveis que se pode viver em um dia na cidade transeunte. O sono lhe quebrava ossos, o catatonismo obrigava-lhe a questionar o mundo frente ao espelho; a vida parecia constante por demais. Quebrou todos os vasos que via. Cortou algumas roupas e enxugou o rosto. Passou meia hora embaixo do chuveiro, a água limpava a superfície; pensou sobre uma possível viagem de trem, mas não era confortável. Decidiu comprar um carro, mas isso atrairia mulheres desonestas. Pensou em criar um mundo, mas logo desisitu depois de aceitar que teria que morrer por poucos crédulos; quantidade era necessária. Resolveu ir à feira, mas eram três da manhã, os sintomas de gravidez falavam mais alto. Voltou à sala para continuar a quebrar pouco mais que podia. Queimou vários livros na lareira. Sentia-se menos místico; odiou perder o "q" de transcêndental. Tomou trinta xicaras de café sem leite. A sensação de onipotência era visível...Ah! Ele estava melhor.
Jucksch, Márcio.
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