Donnerstag, 5. Juli 2007

Tricor


Estavas patética com aquele vestido, Walquiria! Sabias?
Assim começo a pensar que está deveras necessitada de um homem, mulher. Valha-me Deus! Parece que tem fogo por debaixo dessa saia.
O senhor Jurandi pergunta sempre por carlinhos. Fico pensando o que ele tanto quer com meu menino. Desde que ele acusou meu querubin de ter roubado toda a carga de peixe do mês, não o perdo-o por tal injúria. Ora, francamente! Parece que somos mendigos, ou mesmo ladrões para ter atitudes tão infames.
Minha vontade é de largar toda essa vila as moscas. Bandinho de gente pobre.
Oh, Cândida, cala-te, mulher! Estou cansada de tantas reclamações infundadas; já te escutei por demais hoje. Reclamas tanto de tua atual vida quando, na verdade, deverias pensar que tudo isto é por tua própria culpa. Deverias ter pensado bem quando resolveu roubar o marido de Gertrudes, pois perdeu uma grande amiga e o marido também. Longe de mim querer intriga, mas que homem safado; deixou Gertrudes pra viver contigo e agora te larga e vai embora com uma garota de 15 anos... É por isso que já aderi à modernidade e hoje sou amante de meu entiado. Sou assim, e sou feliz! Me sinto tão mais mulher por ter um homem de verdade que mata essa sede de tanto desejo; meus 44 anos me permitem coisas sempre imagináveis (...).
Oh, mulher, nem parece que és minha irmã! Nem para afagar minhas mágoas serves... Eu mereço!
Ah, minha irmã! Deixe de aborrecimentos e dei de ombros. Queres ir à um chá na casa de Rosa?
Mas é claro, deixe-me apenas apanhar meu chapéu e minha bolsa.

Jucksch, Márcio.

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