Dienstag, 19. August 2008

Lekfull

Não sei o que estou fazendo; talvez o objetivo seja esse mesmo. Lembra quando te falei de presentes, que a vida nos dava presentes de uns jeitos estranhos, que por vezes precisávamos nos perder para encontrar algo valioso? Eu falei a verdade. Mas não sei o que acontece quando esse algo valioso parece nos tirar do caminho onde nos achávamos, e nos arrasta para um desconhecido com a promessa de encontro. Você não mora aqui. Eu sei, você acha essa frase óbvia e a conversa vai continuar. Mas você não mora aqui, e a obviedade disso é o que encontro todas as manhãs no lado da cama em que você não dormiu, em todas as despedidas que não são pausas para nossos compromissos, mas retorno à realidade. E no fim de cada ligação, tenho de perceber que um minuto a mais seria um furto de nossas vidas, porque não vivemos juntos. Não pertencemos ao mesmo mundo. Estamos sendo irresponsáveis e tolos por achar que estarmos cientes da dor nos torne imunes, não torna. Estou cada dia mais assustado e cada dia confio mais a você. Será a ânsia de todos os amantes confiarem de si ao outro para estarem sempre lá, feito os trejeitos que nos percebemos tendo, muito depois do fim?
Eu tenho dormido dias inteiros, como se minha cidade nem merecesse ser vista e o ápice das vinte e quatro horas são os teus telefonemas.
Decidi livre e conscientemente existir só nesse nosso planeta impontual e imaginário, e fico mesmo indignado quando ele se auto-destrói tantas vezes ao dia. Ontem te provoquei até brigarmos, confesso. Até eu sentir a tua raiva e ouvir tua voz ficar firme “estou apaixonado! É diferente”. Precisei desligar ali, porque era com isso que eu queria dormir. Não uma despedida condescendente que me permite a vida, que me entende as horas e me compreende os fardos. Não a confiança do amor simples, eu queria a insegurança apaixonada. Que é inimiga das horas, não perdoa atrasos e odeia a ausência, porque ontem eu tive medo.

Tive medo de bruxas.


Jucksch, Márcio.

Montag, 18. August 2008

Kärleksstigen

De recente pesquisa, devo dizer que um amante é essencialmente insaciável, que todos os amantes deviam ganhar na primeira viagem, senão manual, no mínimo a seguinte instrução: Não vai ser suficiente. Não me foi dado, farei isso pela sociedade, portanto, eu mesmo:


Não haverá mágico momento de desligar o telefone depois de atingido o número preciso de “eu te amos”, manhas, vozes chochas e equivalentes. Não haverá vitória ante o cansaço do outro, sua voz dura do longo dia, seus calos de trabalhador. Nem ressarcimento por seus atrasos destas vias oriundos. Não ganharás respostas que contentem tuas palavras, as que dissestes e as que querem ser ditas, poupe garganta. Pouco se compreenderá da tua própria súbita dureza, do teu cobrar ingrato que fala com o corpo e faz ir quando quer ficar. Amadureça; já estás cobrando ao achar que não deves cobrar. Use a garganta. Tampouco existirão músicas e filmes e culpa que preencham o vazio na tua cama quando teu amor não aparecer, nem, na manhã seguinte, serás acometido de uma vontade divina de viver. E creia sempre: para cada infeliz jogado entre travesseiros, há um insensível ganhando fama e dinheiro. E sim, são eles os saudáveis. A segunda ligação não mudou o mundo, a terceira também é punida com realidade. Ninguém te roubará a vontade de retornar, nem mesmo já ter retornado. Tuas faltas não serão compreendidas; porque soa como doença, sente como doença e, em certos casos, até cheira feito doença, mas estás obrigado a superar. Em alguns minutos, de preferência já. E só, que a insatisfação é também científica que, além das próprias abobrinhas, plagia a arte a proclamando que nada melhor à mente e corpo que se apaixonar.

P.s.: Hahaha. Há melhor entendedora que Carol, gente?


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 17. August 2008

Idag

Hoje eu acordei com um grito
Deitado ao meu lado na cama,
ironicamente sorrindo ao me encarar.


Era um grito de homem, vi seu rosto;
mesmo sem ver teria sabido no momento que senti sua perna peluda nas minhas costelas,
empurrando meu corpo da cama,
num golpe certeiro, sem receio de machucar


Antes que eu pudesse reagir, pulou sobre mim, engalfinhou-me no chão até que eu abrisse minha boca para arfar. Então se atirou goela à dentro, desestrangulando a garganta que eu não sabia mais como usar. Encheu os pulmões no limite do que o coração conseguiu bombear.


Virando-se louco no meio do estômago até que eu entendesse sua mensagem de grito:
Não só as mulheres dessa família devem lutar.


E já que os homens vieram castrados, a natureza encaminhou um diferente para gritar


Deu-me sim uns olhos ternos e um riso fácil, nutrido de muito amor, escolas caras e uma BMW.
Deu-me um caminhar etéreo de quem parece não ter fardos.


Mas deu-me muitas mães, a vontade de ser pleno,
uma tesoura para as mordaças e o amor por machos,
para que eu visse o ódio no rosto dos outros
e, no meio do medo, tivesse de escolher entre me esconder ou brigar.

E eu, Márcio Jucksch, filho do rio e neto da chuva, que já fui calmo, que já fui plácido;
agora carrego no ventre uma semente de tempestade.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 12. August 2008

Den perfekta par

Voces conhecem o casal perfeito? Pois bem, vou apresentá-los. Eles se encontram lado a lado, no último andar de um bolo em cima de uma camada de glacê. Eles não precisam necessariamente se olhar, mas somente manter um sorriso idiossincrático que, conseqüentemente, resultará em questionamentos sobre a real felicidade.

P.s.: sem comentários óbvios, ok?

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 10. August 2008

Var ett skämt


Ontem eu, definitivamente, não consegui brincar. Não entrei na brincadeira. Talvez seja essa a idéia do teatro: entrar na brincadeira. Não quero virar o menino da história que diz "mãe, o rei tá nu!"

P.s.: é quase igual ao que, certa vez, meu avô me disse: quando me sinto confuso ouço fogos sabe Deus de onde e em seguida a chuva.


Jucksch, Márcio.

Titta där

Olha ali... era vidro e se quebrou.
Ainda estou acostumando com meu quarto sem espelho; mais tarde vou ter que me acostumar com meu quarto em outra casa. Isso realmente me deixa triste. Não que eu tenha problema em mudar de casa, se fosse outra... mas essa?! As minhas lembranças estão nessa casa, aqui eu posso visitá-las sempre. Mas e quando eu não puder mais vir aqui, sentar na mesa da cozinha de tarde com a luz que entra pela porta, que é a mesma desde quando eu nasci?! Ou subir no terraço para ver os fogos e as estrelas, e o quintal lá de cima?! Ou... tem mais tantas outras coisas mais... depois só vou poder visitá-las na memória, mas a memória vai se misturando com os pensamentos e se perdendo na imensidão deles. Não quero chorar, mas já chorei algumas vezes; e até a gente sair daqui já serão muitas.
Eu sempre tive a impressão de que eu iria viajar pelo mundo todo, mas sempre voltaria para essa casa e para casa dos meus avós. Sabe o lugar que te dá a impressão de que tuas lembranças são enternas? - se é que é isso que eu estou tentando dizer.
Agora estou sentido o mesmo que eu senti quando li cem anos de solidão... uma nostalgia que dói muito.
Ai, ai...


Jucksch, Márcio.

L.Y.

Apatia e sutil segurança podem gerar desdém (você não precisa saber do que estou falando).
Esse fim de semana passou arrastado; divertido por ter começado na quinta e lacônico por ter terminado do jeito que terminou. O intermédio disto foi um festival de... nada que seja mesmo interessante. Faz tempo que aprendi a diferença entre provocar e sacanear. Infelizmente, certas pessoas ainda não. Mas agora eu só estou cansado de ter andado o dia inteiro, ter me frustrado nas tentativas tímidas de começar algo e isso só desanima diante da noite inteira que terei para não pregar os olhos - tentando de novo, quem sabe. No entanto, alguns fatos como usar o elevador da Big Ben, pensar seriamente em trocar risole de queijo por steaks com arroz, querer tirar foto no meio da rua enquanto os ônibus estão bem longe e subir uma ladeira com promessa de um copo d'água no fim da jornada - sendo que não teve foi porra nenhuma, apenas 'bafões' - me deixam mais conformado por gastar tanta sola de tênis velho.
Dica: só conheça seu próximo após um grito reconfortante e F.D.P. de lealdade a tudo que você considera possível de um sentimento, digamos, pródigo. Nem tanto amador.

P.s.: no envelope estão também as antigas fotos que tiramos após aquela tarde quente naqueles terminais abandonados que, ludibriados por nossa inconseqüência intangível, chamamos de... nossa casa!


Jucksch, Márcio.

Jag vill gå tillbaka

Eu quero voltar para ficar, porque lá é o meu lugar.
Quero voltar para as coisas que deixei.
Por onde ando não dá para ficar, porque lá é o meu lugar.
Será que tem alguém à minha espera? Quando os dois braços abertos me envolverem como antigamente vou chorar.

P.s.: alguém se habilita a comentar?


Jucksch, Márcio.

En bekännelse till Sidney

Existe algo compensador em toda futura e (aparente) presente mazela possível: a terna e presente felicidade.
É, eu te amo.


Jucksch, Márcio.

En skrivelse till uppvaknande

Não, não tenho uma foto bonita, cool e arrasadora para postar. Estou com preguiça, com dor nas costas, com várias consultas médicas marcadas para semana que vem e não rematriculado em nenhuma das faculdades. O último caso se resolverá em breve.
Afetivamente estou satisfeito de um jeito estranho de entender e passando por mudanças. Tudo bem, é natural. O importante é a sensação de bem-estar que se tem nas horas mais inesperadas. Uma prova da felicidade? Hum...
E a saudade dos velhos amigos e a necessidade de poder compartilhar com eles as novidades que são velhas para mim, mas que serão interessantes pra eles e vice-versa...
Estou com vontade de escrever cartas pra cada um com o intuito de lidar melhor com o passado.
Amei e ainda amo alguns de voces com o melhor da minha lealdade e amizade. Aos do presente, que sempre façamos o possivelmente melhor. Nós arrasamos!


Jucksch, Márcio.

Behöver inte vara för evigt

Não precisa ser pra sempre.
Pode ser agora e bem junto ao âmago; pode ser no instante seguinte e que você possa sorrir comigo.


Jucksch, Márcio.

Bara vill ha ett foto

Quando tu chegas em casa depois de uma noite inteira por aí... uma noite surpreendente, escorregadia, cheirando a vômito, colônia de priprioca, enxergando várias histórias estapafúrdias tomando forma ali adiante, mas fixando-se num ponto cada vez mais longínquo. As melodias de canções confusas, dispersas na escuridão que vem do alto. O vento frio não dá conta de manter em pé quem está inconsciente. Água, água, água mineralíssima para escorrer garganta abaixo, apoiar-se no concreto novo e rígido. Caminhar seguindo a rota, os sinais que apontam a direção: o oposto do sol nascente bem atrás de nós. Dividir uma cama sem saber quem é o outro. Alcançar o lar sentindo a energia esvair-se langüidamente, os portões abrindo pelo favor que tuas mãos deviam às tuas pernas. Observar seu próprio reflexo e desejar apenas um retrato.


Jucksch, Márcio.

Dienstag, 5. August 2008

Bisarr - sarkasm


Sucesso no sertão semi-árido do Nordeste brasileiro, Neide Aparecida (a Neidoca do grupo de forró mais conhecido do Brasil, o "Coentro com Sal Grosso"), foi surpreendida pela minha equipe de reportagem que estréia o quadro "segredos dos artistas". Siiiiiiim! Queremos saber os segredos de Neidoca. Sua beleza é incontestável, belíssima.
Mesmo surpresa Neidoca foi finíssima e abriu a porta de sua Choupanã que fica em Piriri do Caráio à 4, onde a Maria rezou o terço e o João comeu pamonha, para nossa equipe desfrutar das belezas e saber tudinhoooo sobre seus segredinhos.

MAIS SOBRE NEIDOCA

Além de dançarina do grupo "Coentro com Sal grosso" Neidoca é atriz, modelo/manequim, apresentadora de programa infantil e canditata a participar da 'Danças dos Famosos' do programa do Faustão!
Ela tem 1, 45 de altura e pesa 38 kg.
Suas experiências anteriores vem desde o tempo que era pequena, onde ela junto com uma burra, carregava água para sua cidade.
Foi descoberta por um olheiro que ficou em dúvida se levasse a burra ou a Neidoca para ser a dançarina do grupo Coentro com Sal grosso... ele resolveu levar Neidoca, já que a burra recusou o convite.
Neidoca manda um beijo para os fãs e diz que logo lançará um passinho novo pra novo sucesso do grupo.

MOMENTO BELEZA

A DICA: Neidoca recomenda aos seus fãs um banho de Jacuzzi diariamente. A aguá deve ser do poço e meio barrenta, isso eliminará todas as estrias - ela indica tomar o banho de biquineco ou 'maiozão' preto, e sempre que possível usar arruda pra espantar o mau olhado.

OUTRA DICA: Para caber na jacuzzi compacta que nem a de Neidoca, é necessário fazer algumas aulas de introdução ao contorsionismo!!! Que lushoooooo!!

CABELOS: Creme Rinse colorama rosa!!! E mensalmente amacia com Hennê ou Marú!!!

PELE: Nas palavras da própria Neidoca "Cê cata a laranja e casca... ae ucê aproveita e chupa até o bagaço, dae ucê pega as casca e esfolia no rosto e fica com pele de jaca" -> palavras de Neidoca.


A DECORAÇÃO: Neidoca salienta que a decoração da casa a inspira muito, então um recado aos fãs: tijolo baiano é o que há!!! Tendência!!! Moda!!! Glamour!!! Vamos, gente, pegaremos os "tijolo", juntamos a cambada e sentamos um muro. Depois tem a churascada e ainda aproveite o sol pra ficar bronziadis... que chiqqqqqqqqqq!!!

* Neidoca não quis comentar sobre seu affair com um ex BBB, ela disse que isso é algo pessoal!!! *

Comentem, fãs. O que acharam da vida íntima de Neidoca????


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 3. August 2008

Hon var? Ja, det var

Atípica.
De jeito envolto em camadas e mais camadas de suspense. Não era do tipo 'inefável' pra causar desconfiança. Não. Gostava de viver... só.
Não sei se era atípica. Sempre me confundo ao querer rotular; é isso que sempre acabo fazendo. Desculpe.
O mau-humor nunca variava. Era sempre o mesmo que não tinha hora certa pra começar - das 10h da manhã ou se não, às 16h da tarde. Era incrível como mantinha hábitos detestáveis pelos pais. A distimia sempre a levava a confrontar-se com aquele 'eu' pouco interior. Era de uma esquizofrenia ímpar, como disse uma tia morimbunda um dia. Era uma pessoa triste, mas tentava ao máximo deixar isso passar despercebido.
No dia, com pessoas próximas, era agressiva. Gostava de machucar, mas no fundo sentia a culpa pesar. Tenta dia-a-dia matar essa humanidade que, entendia, a deixava fraca. Porém, outras vezes, entendia que ter essa parcela de humanidade não era tão ruim; por ser humana o suficiente era que podia despertar seu lado mais grotesco, mais animal.
Tinha paixão pelo sadismo, sarcasmo, humor negro. Gostava de sentir prazer com a dor de outrem. Ela podia, não se considerava uma pessoa boa. Não era boa o suficiente para isso. A vida social era pouca, e fazia o máximo pra diminuí-la. Não era misantropa, era intolerante - entende?
Sabia ser benevolente com quem merecia. Odiava a educação nos seus extremos, ela gostava de ser insultada a todo momento. Tinha espasmos de raiva de quem, pasmém, não a fazia nada. De quem não queria ser mau. Deixou muita coisa para trás. Deixou muito coisa passar a frente. Hoje em dia pensar em se desligar de tudo que já foi relevante na sua vida.
Ela só não quer se apegar para depois ter que se tornar a pessoa mais destrutiva por pura falta de paciência.
A inépsia dos outros, a todo momento, a incomodava e lhe provacava pensamentos assassinos. Uma solução drástica sempre seria mais cômodo.

Eu gosto dela. Ela me atrai. Ela sempre aparecia pra mim no mesmo momento, na mesma hora, no inevitavel momento de contraste com a realidade.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 2. August 2008

Denna text har ingen titel

Ontem sonhei com lagartas. Daquelas que nos queimam
Estavam por toda a parte
Eu não me queimava.
Mas fingia que sim, para poder pedir ajuda
E alguém atrás de um vidro me observava, estático. Não como uma pedra, mas como uma nuvem que passa e mantém a forma. Sumindo sem você notar.

O que eu senti depois?!

Eu não senti, eu acordei. E vi a parede verde do meu quarto e minha mãe gritando cinco minutos depois dizendo que o café estava pronto e que se eu não me apressasse eu perderia o ônibus.


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 27. Juli 2008

Jag vill inte


Não. Não quero!

-Mas é preciso. Aprenda-me.
-(...) Numa tentativa, frustro-me. Noutra, mal espero por desligar-me, não posso. We do it for run (...)

-Fato é que tu me juras implicância dois minutos antes de nosso dia acabar e, o outro, começar em branco.
-Sério... então... "quando você sabe que o desconhecido existe e aceita-o sem tormento, o que ainda falta é o você para guiar o tu".

-Eu sempre te vi como meu arquétipo, minha imensidão lôbrega, de um inefável momento. De uma idiossincrasia meramente copiada; porém, penso, probo, não é?!
-Eu só penso que te amo. Eu não consigo e nem quero pensar na possibilidade de te demonstrar isso. Eu sei, fica parecendo indiferença... e a cada 'eu te amo' que te digo, tu pensas mais na possibilidade da banalização dos meus sentimentos e, conseqüentemente, na tentativa de querer fazer o mesmo com os teus. Mas isso seria de um cinismo ocasional que eu não acharia graça alguma. Mas eu te amo e pronto, não procuro passar dias construindo o que se acaba em segundos, assim que eu encontro conforto em algo que pode proporcionar o que eu desejo; não me apego em pensamentos fanáticos. Eu te amo nesse exato momento, sinta-se feliz. Em outro, não mais nos amaremos e tu... só irá seguir em frente com uma dor, talvez, gostosa dentro do peito, e as seguintes palavras no pensamento: "eu poderia te dito a-q-u-i-l-o".
Mas eu te ofereço - como prova prosáica de sarcasmo - esse trecho:
"Ele havia dado todo seu amor e em troca recebeu o tempo. Tempo de dizer adeus, pois a reviravolta é constante e vai do início até o fim sem pensar no seu bebê. Você pode até trazer a esperança, mas as palavras já estão perdidas num espaço tridimensional".


"Fato é que era muita coisa 'jogada fora'. Muita coisa que me incomodava. Gente que tolerava as palavras erroneas de outrém, gente besta que tentava um anacronismo pra tentar ser aquela cujas palavras vinham da profundidade de sua alma dilacerada. Aquilo me incomodava. Incomodava, sim!"


Jucksch, Márcio.

Samstag, 19. Juli 2008

Semester: dekadans


Poxa, eu sou bem do tipo vagaba, cara. Consertarei isso nos próximos dias (ou não).

2:08 da manhã, insônia broxante, vamos atualizar o blog. Na foto, sou eu super sensual (meio que escondido), com uma galera quase tão sensual quanto eu na escandinavia, o qual é fortemente sensualismo puro - ainda mais agora que eu estou em solo subdesenvolvido, manja? - na Suécia. Poxa, eu tenho sentido uns espasmos de saudade da Suécia, assim, inacreditáveis. Se eu não fosse forte pra caramba, diria que estou virando emo (coisa que TODOS que estou revendo andam alegando. Aqui é só tu ter uma franja, um vans e se vestir diferente e já te classificam como viado).

Voltei há dois dias. E foram os dois dias mais estranhos, EVER. Acho que acostumar aqui foi mais estranho que acostumar na Alemanha. Eu cheguei e vi os prédios, os buracos nas ruas, a quantidade de nordestinos, o trânsito e o preço do Bono - o biscoito mais tezão - e me peguntei: "bróder, foi sempre assim?". Mas agora até que tô acostumando. Acostumando entender 100% o que as pessoas falam na rua (porque, no caso, uma das coisas que eu mais fazia na Alemanha era fechar meu cérebro pro resto do mundo. Eu sei, é difícil de entender), ver gente morena (tipo, BEEEEEEEEM morena!), não ser mais o gringo que pode falar o que quer e ninguém compreender, ver tanta piriguete... porque não sei se é só eu, mas eu ando notando um aumento na população de biscates nessa São Paulo, cara.

De qualquer modo, minha vida agora vai ser somente repouso. Vou tentar não reclamar. Poderia ser pior. Eu poderia ter que... ahn... sustentar 7 irmãos e uma mãe enferma. Ou... ter que fazer malabares nos faróis enquanto tá 10 graus lá fora. Ou... ter minha perna comida pelo Chuck, meu crocodilo de estimação (oops, isso aconteceu mesmo!).

P.s.: post feito da grande São Paulo - que não passa de uma cidade de merda. Pensei que ia ter uma recepção mais calorosa, mas não foi bem assim. Só o que encontrei foi uma cidade fria, seca, cheia de gente meio que sem axé baiano. Hoje a tarde, Macapá; segunda, cirurgia. To extremamente estressado, agressivo, destrutivo e depressivo. Mas como será minha chegada? Segundo meu PAPAI: cheia de alegria bolo e guaraná. Sim, igual a festa da Xuxa, bróóóóóder!!!

P.s.: IRE, DU GEILE SAU! Wenn du voll braun bist, werd ich ECHT sauer. Ich sag's dir, fang schon jetzt an, ein paar tezões zu pegar! Du hast so viele sachen mit mir gelernt, mach mich stolz auf dich, ja? hahaha und hier... also, ich hab auch nich soooo viele shorties gesehn, aber wenn mein kurs anfängt kann ich dir weiter erzählen hohoho. E AÍ, TAMO NESSA CARNE? hahahaha.

Ao som de: Jürgen Paape - so weit wie noch nie



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 15. Juli 2008

Någon annan?

Ah, look at all the lonely people!
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Eleanor Rigby - Beatles


Preciso ficar bêbado e dançar Barbarism Begins At Home como nos velhos tempos. Ou This Charming Man, Where Is My Mind?, Superafim.

Na verdade, é vontade de dançar com os velhos amigos dos 14 anos. Atualmente, o que é o mesmo que dançar sozinho. Ainda somos muito amigos, mas estamos muito longe uns dos outros. Então, danço e bebo por todos.

;)

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 13. Juli 2008

Marcelo

Meu menino de contos de fada.

Marcelo é tudo o que se precisa numa terra fria.
Marcelo é herói. É príncipe encantado que salva. É lenhador forte. Fiel escudeiro. Dragão. Às vezes donzela em perigo, só pra que eu me sinta útil - aliás, sempre pois eu sou mais forte. É confidente.

O menino é como eu. Sente como eu. Liga 22 vezes atrás, como eu. Briga por coisas bobas e por coisas sérias. Sente ciúme. Finge que não existe. Finge que está na Antartica.

Eu me apaixonei pelo Marcelo há cinco anos. E não vejo jeito desse sentimento parar.
Eu me apaixonei pelo menino das fotografias. Da voz grave e bonita. Do falar baixinho. Dos desenhos com nanquim. Eu me apaixonei pelo pouco de Marcelo que eu conhecia. E hoje eu me apaixono por esse menino todos os dias. Porque existe sempre uma palavra. Uma ação, grande ou pequena. Carregada de delicadeza. De singeleza.

O Marcelo poderia ser árvore. O Marcelo poderia ser floresta. Poderia ser casa.
Mas, para mim, o Marcelo é o Má. Meu homem de confiança.

Meu menino de conto de fadas.

(...)

Invejo sua sensibilidade de percepção.

O Marcelo vê as linhas que constroem a realidade.
Tira fotos delas e nos mostra. Tem gente que não vê, mas ele vê.

Tenho certeza disso.

Marcelo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Faz sombras lindas pros dias de calor.

Marcelo fala pouco.
Mas quando fala...

Algumas considerações disformes. Segue...

"O Marcelo, na minha visão, como eu descrevi, é o menino de contos de fada. Mas não somente isso. Não.
Marcelo se tornou especial na minha vida há 5 anos. E eu o odeio por isso, às vezes. É fato, sim. Quando eu gosto de alguém e essa pessoa não está perto de mim quando eu preciso, eu odeio e pronto. Fico com raiva, xingo, desejo o mau e prometo que nunca mais olharei na cara... mas o problema é que esses sentimentos explosivos e efêmeros são a causa da minha sandice com todos que eu amo. E eu amo o Tamma - sim, eu o chamo de Tamma e talvez por isso metade de muita gente sem criatividade e afim de explorar um verdadeiro mano sangue bom como eu, resolveu adotar este singelo apelido.
O marcelo é branco, 1.90 de altura, olhos azuis (que um dia irei roubar e vender no meu mercado negro), têm um corpo de tchutchuco, só namora gurias idiotas pra caralho, têm uma inteligência fora do comum (que vai fazer com que eu venda o cerébro dele também no meu mercado afrodescendente) e, pasmém, estuda Direito. E isso vem me acalmando e, ao mesmo tempo, me irritando. Eu sei que eu vou estar numa sala com outras pessoas na concorrida busca por se dar bem na área jurídica daqui há uns meses. E o marcelo vai iniciar seu 8º período de Direito... ele entende muito, bróder. O que me faz pensar: meow, esse truta sempre vai ser melhor que. E como eu vou ter que advogar por um longo período, eu sei que ele vai tornar minha vida um inferno nos tribunais. Mesmo porque ele vai ser juiz.
Ele entende tudo sobre Direito! Ele dorme com o Médi Vácão, transa com o MD, come o MD e tem lazer com o MD... cara, que guri mais expert em acabar com meu tezão. Fuck-se!
Mas acontece que hoje eu senti uma saudade filha da puta de ti, Tamma. É aquela saudade que me fez chorar muuuuuito. Assim, de gritar teu nome na minha cabeça como se eu nunca mais fosse te ver, mexxxmão! E eu peguei o telefone e te liguei, te liguei, te liguei e... me joguei no chão e chorei mais ainda. Porque eu lembrei que, em uma certa despedida, eu tava muito afim de chorar pra ti, e tu apenas me disse, olhando sorrindo, leve e solto: Márcio, não precisa disso. Tu sempre vai tá comigo, guri. Tu sabes que meu amor por ti é imenso, mais que o meu amor por minha namorada - apesar de ter chorado, eu senti uma forte vontade de ter te levado pra cama, brincado de 'true or dare' (até eu ter tirado toda minha roupa por ter te desafiado), requebrar até o chão com o dedinho na boquinha e outra na cintura, cantando sandy e junior... porque a Sandy é virgem como eu, manja, brow?!
Eu soquei tanto a porta do meu quarto, Tamma. Eu procurei companhia, mas não encontrei. Sério. Eu queria te esquecer, mas ninguém me ajudou. Mesmo a pessoa que eu mais confio aqui. Sei lá, acho que é meio proibido eu tentar te esquecer. Porque um dia a gente vai brigar nos tribunais, mesmo. Tu é o homem da minha vida, bróder! Eu nunca quis aceitar essa idéia. Mas agora eu sei que eu vou ter que me vestir de noiva pra ti um dia, né? Caraca, mano, vou pagar esse beneficio só na malemolência baiana que eu tenho naturalmente.
Eu tenho falado muito em ti com a mamãe e sempre ela ri dizendo que acha incrível essa nossa amizade a distância ser tão forte. Ela gosta muitão de ti. E eu tenho tolerado mais a idéia de que eu não posso ter todos voces, meus tezões, perto de mim quando eu quiser.
Acredita no que eu digo, Tamma! Eu te amo mesmoooooo!
Eu sei que o inicio da nossa amizade foi muito conturbada - isso com quase o mundo, eu sei -, mas é que eu sou assim mesmo. Chato, mau-humorado por sono profundo, antipático, realista. E sei também que tu me acha muito frio, como muito já me disse. Mas eu sempre tenho uma idéia boa de ti, em que tu me curti pra chuchu e eu te escravizo, porque eu não sou de ferro, né, chérie?! Maldade, eveeeer!
Mas acredito, outra vez, apesar dessa minha frieza constante, humor ácido e afro-brasileiro... eu te curto a lot! É justamente por tu ser esse estereótipo de High School Music mesmo, tá? Ainda bem que eu vou te dar um abraço logo, espero. E tu vais ter que dizer que me ama muito, tá? Porque eu vou fazer um grande escândalo quando te ver".

Acho que é melhor ficar por aqui, né? Daqui a pouco vou acabar com a tua fama de pegador das minas sangue bom daí de PoA.

Adieu, Mein Preto Sensualidade!!!


Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 10. Juli 2008

No blog a gente pode contar um pouco do dia, né?

Então, nem sei que foto postar aqui. Whateva!

Weeeeell, eu adoro postar aqui quando estou estressado, porque voces são uns sensuais que me dão apoio moral. GOSTOSOS =) Obrigadinho.

Bom, eu realizei que whatever se eu não estou todo party-party esses dias, porque isso é normal, de algum modo. Primeiro: eu to cansado de party-party do ano inteiro. Segundo, eu to ficando velho e esclerosado de qualquer modo. Acho que me sinto ate uma pessoa mais sábia, irgendwie.
Bom, o post de hoje será só com perolas. O chato é que é muito mais engraçado quando a gente VIVENCIA, então talvez voces achem super tosco, mas schnuppe.

Marxenhu, comendo pastel com Ilona e reparando na loja da frente.
- Meeow, como tem filial essa loja, né? Até em Hiroshima. Pow, achei que só tinha morto lá, cara...
(IRIS, NÃO ME MATE)

Tempos depois, Chelsea e eu vendo filme da Jennifer Lopez:
Jennifer Lopes bêbada diz: Sabe, eu nunca achei que eu fosse o bastante pra ele, sabe?
Chelsea interrompendo ela: - WTF, com ESSA bunda? Ela é demais pra qualquer um, eu acho.

Dez minutos mais tarde no segundo filme com a Jennifer Lopez.
Marxenhu - Cara, ela me faz sentir bem, sabe? Ela é tipo um modelo pra mim, o tipo de pessoa que fala: Ei, você ai, você tem uma bunda grande, mas você também pode ser feliz, sabe? Keep it going, brow.

Terceiro filme da noite: Hooligans.
Marxenhu - Adoro filmes com violência gratuita, principalmente se tiver muitos shoooooorties* e überhaupt nenhuma história interessante. Assim, simplesmente gente apanhando e essas coisas.
Chelsea - Eu também. É simplesmente tanta adrenalina que eu não consigo me conter. *shorty, ou seja, tezão. É tipo aqueles clipes de cantor negro americano que sempre fala um "shoooorty" pras nega deles, manja?

Steve aparece no filme sem camisa:
Marxenhu e Chelsea em unissono: DAAAAAAAAAAAAAAAMN, SHOOOOOOOOOOORTY!

Steve morre no fim.
Chelsea: tá tudo errado. Por que só morre gente quente nos filmes? Quero dizer, lembra do 300? O cara mais gostoso morreu também. Como se não bastasse só ter gente feia no mundo, os shorties morrem, cara!

E vai ter festival de ska na sexta =) To animadeeeenhu. Vai ser super tezão =D Quem estiver interessado, entre em contato, pra eu besorgar o ingresso com um precinho negritude ;) Vai ter Dr. ring ding, king django, chris murray e regatta 69 ^.^

P.s.: "ich". Ok... du bist WITZIG, ey? sag einfach wer du bist, und lass uns interessante unterhaltungen anfangen, z. B. über Globaliesierung oder so.


Aaaaaaaahhhh! Pow, Dresden é um lugar do caramba, vai dizer? Fiquei pouco tempo lá, mas paguei um pau. É bem o tipo de coisa que tu pára e fala, se estiver com um carioca (ou só pra zoar meixmu) "Bróóderrrrr, tamoxxx muito na Europa". Estou bem idiota esses dias.

Então essa semana teve Projekttag na faculdade e a gente teve a idéia de apresentar tipo um teatro (que eu tava XUUUUUUUUUPER a fim de fazer, né, amiguenhoxx?) de merda lá. Acontece que o, no mínimo imbecil do ator principal, resolveu faltar por falta de tezão de apresentar a parada... então quem teve que ser o guri principal lá? ECZACTO, AMIGUEEEENHOS. E aí, ó, sem modestia nem nada, eu fiz o negócio bem pra caramba. hahaha Pow, o professor chegou assim depois e disse "Puxa, você já fez teatro? Foi MUITO bom mesmo". Gosto de ser idolatrado heuhuehueh

A noticia mais bombástica ever: tem uma guria, do primeiro período de psicologia, apaixonada por mim HAHAHA. Me divirto. Tipo, eu percebia que ela sempre parava do meu lado quando eu tava falando em português com um amigo meu (que chegou pra morar na Alemanha na mesma época em que eu cheguei!) e sei lá, ela me seguia pelos corredores e coisas assim. Aí hoje, ela finalmente tomou coragem e me disse "hallo" HAHAHA. Aí eu respondi, óbvio, pra mostrar a elegância dos nórdicos brasileiros, e as meninas da minha classe perguntaram: "guri, você conhece?". Aí, eu disse que não. Aí a Nina, uma guria bem chica, coisa e tal, falou "Huuuuuuuuuum, é paixão." Tudo se esclareceu. Andrey, declaro em meio público que vou te largar e construir minha vida com a pirralha. Se bem que eu acho que devo virar freira (ou melhor, padre) antes disso.
Ai, bróder, acho que ela não levou em consideração que eu sou um mano do gueto super negritude que só pensa em levar a vida passeando pela quebrada ao som de um funk da comunidade, né? Mas não posso ser antipático, apesar desse meu bom-humor-afro-descendente, meow! Eu sou muito sóciopata. Fora que estudantes de psicologia deveriam ser todos como a Cássia e tramar aniquilações em massa junto comigo.

Aliás, teve tempestade lá, né? Achei muito tezão hahahaha. Nunca vi uma parada tão violenta e talz. Falou no noticiário que tava com pressão de orkan umas horas ae. Hum, tava até imaginando a catástrofe toda, manja?!

Tengo que irme. Escrever uma xuuuuuuuuuuper dissertacäo a respeito de universitários que tem que jobben. E eu achando que teria que sofrer com essa parada só no terceiro ano... minha prof. é muito gente fina, mas às vezes ela fica bem sem noção =P

Adieu, meine Loves (sou muito poliglota, meow)


Jucksch, Márcio.

Montag, 7. Juli 2008

texten har namnet ändrats


Vocês sabem como é dividir um táxi, numa viagem rápida, com alguém que já foi muito da sua vida e agora não é nada? Como se fossem completos estranhos, vocês não querem se ouvir e não querem falar. Você olha para o outro alguém como se tentasse reconhecer alguma coisa e nada. Nada acontece, poucas semelhanças com o passado, porque ninguém mais está mergulhado na mesma ilusão.

É triste, tão triste. E só. Tem vários porquês, mas não consigo falar deles da forma apropriada. Só incomoda lá no fundo e toda vez que você encontrar com ele, algo vai despertar. Não estou falando de intensidade, apenas de existência. Você sempre vai lembrar que algo esteve ali e nunca vai entender plenamente porque não está mais.

Aceitar as coisas não é conforto, não é solução. É apenas uma forma de lidar com os fatos. E quando sei que nunca aceitei aquilo? Ainda que o silêncio impere, não é o mesmo que aceitação. A compreensão é muito mais importante. Enquanto não compreender, não aceitarei. Me pergunto se ainda estou falando da mesma coisa que no princípio do texto...

Já faz quase 1 ano e eu ainda lembro de como machucou. E ainda não sarou. Nada fica mais fácil só porque o tempo passa. O conforto não vem com o passar dos meses. Quem ensina são essas situações inusitadas e desconfortáveis.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 5. Juli 2008

Slukade allt


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-x. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unha, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto, mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde, irrefletidamente, eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
P.s.: João Cabral de Melo Neto sabia das coisas, né, bróder?!


Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 3. Juli 2008

rökning


Olhava pela janela do prédio e repetia consigo o aviso que estava ao lado: proibido fumar. proibido fumar. Chegou até a musicalo, quase num ritmo de samba, perto de um gingado quente: prooibiido fumarrr, proibiiido fumar... todas aquelas informações sempre requisitando ser assimiladas o mais rápido possível e só conseguia captar as nuances, os lances mais efusivos das palavras, aqueles que tocam. Os que descortinam a imagem e o excluem.
Nessa manhã, havia acordado com sono - como todos os outros dias da sua vida. Preguiça é mais do que incapacidade ou defeito: é característica. Há momentos em que a retórica é simplesmente o complemento da individualidade que se permite enxergar.
Aquele sol lá fora, não sabia ao certo se realmente havia o sol de todos, entretanto, todos os poréns levavam a crêr que aquela luz, aquele mínimo feixe de luz que vinha pela fresta da cortina era fruto do grande sol dissecador de ventres. Ao sair, viu-se certo. Para afligir os desapegados, um vento. A firmeza do nascente que se exala pelas flores e distancia-se em fascinação que nada mais é do que o último suspiro do distanciamento.
No escritório, a vontade. Fumar era tão necessário quanto absorver: inala-exala-inala-exala. Quando tragava fundo, como num último apego pelo material, sentia um desconforto e simulava um segundo de náusea. Não sai nada além de fumaça. E parou diante daquela janela ensebado pelo aviso que havia desrespeitado há poucos minutos atrás. O sol já se punha e os dedos estavam pregados na beira da janela. Não equilibrava-se para viver, mas para sobreviver em liberdade.
Desceu as escadas e, ao chegar em casa, colou o cartaz que havia arrancado: proibido fumar. Só para ajeitar-se no cômodo, contemplar aquele limite e admirar o desrespeito que é a aflição do contente perseguido pelos enxames da vitória. Antes de dormir, fumou uma carteira de cigarros, mas não há janelas quando se está permeando dentro do seu próprio espaço e as portas estão todas trancadas a chave. A era do futuro está trancafiada dentro do sorriso próximo da palma da mão, o paraíso dentro do que achava que não, e onde está o chão é céu sem razão inutilmente discursado pelo entrevistado Deus que simula uma pandorga ao vento, só que sem linha.


Jucksch, Márcio.

I mitt huvud är följande

(...) Tenho a impressão de que nunca mais encontrarei a moça que me roubou. Aliás, era uma velha. Uma jovem breve velha. As pessoas demoram a entender que não tenho todo o tempo do mundo. E Ele gira por debaixo das minhas pálpebras.


É assim que se voa?
Eumeupróprioalimento
E finalmente o ser humano voou
Uet ue
Eu teu


"Então, como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou, cai por terra, exausto da própria criação esplêndida. Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto ". Girassóis de verdade.
A salinha do alistamento militar é uma coisa terrível. Sinto-me até bem tendo meu pai ao lado. Bilac é o patrono. Me olha fundo e parnasiano. Bilac não tem nada a ver com aquelas mulheres de voz de ganso que lá trabalham. São descontentes. E repetem: Venha tal dia, tal hora fazer o juramento a bandeira. Não pode usar bermuda nem camisa regata. Oras! Juramento. Jurarei com figa. Acho ri-dí-cu-lo. Nunca farei nada por essa tal bandeira. Sabe, época individualista essa. Pátria é passado. Pátria é coisa para alemão.



Jucksch, Márcio.

Särskilda

Voces não são de nada. São uma merda, de cor inferior, de sofrimento retraído, de cor amarelada e de perdão passageiro.
E por aí...

Eu: não digo nada.
Tu: me tira o sono.

A borboleta no frasco: guardando promessas.
Os alfinetes: alfinetando algodões.

E o retrato: good old times.
E o olhar mais próximo e escuro: I haven't got anything better to do.

E a pessoa sentada, sem rosto: eu estou tentando acender de novo, de novo.
E a pessoa de olhar distante, na janela: ele está assim, só que agora perdeu o corte da franja.

E o desenho no papel: eu tenho medo de gente.
E a sombra: quem falou de primavera sem ter visto teu sorriso, falou sem saber o que era.


Jucksch, Márcio.

En pojke


Um menino meio seco e azedo esperava por alguém. Ele, que odiava esperar, pois dizia que já tinha sido muito devagar e agora tinha pressa, sentava-se todos os dias no mesmo lugar do banco – num canto a esquerda, na extremidade mais distante, quase caindo. Esse garoto, que nas outras vezes que passara por esse banco, olhava sua integridade física sem esperanças de um dia sentar-se ali, por não ter por quem esperar, agora sente-se exausto.
Ele encontra-se ali justamente no horário mais aflito da cidade. Tem o inverso do ritmo em seus olhos quase estagnados. Seu olho parece desfocado do mundo em que pisa, mas tem em seus ouvidos a música romântica e triste de quem amou em demasia sem saber que não era amado.
O som que vinha do walk-man era justamente o que o impedia e revelava as coisas do mundo. Para ele todas as pessoas pareciam mudas, pois ao falarem ele não as podia ouvir; apenas tentar ler em seus lábios algo de palavra. Entretanto, ele não o fazia. Era tímido e não achava palavra coisa interessante.
Ao passar das tardes ali esperando - os mistérios iam se repetindo - e apesar de não gostar de esperar, a rotina não o incomodava. Pois a vida era assim mesmo. Fora muito infeliz no passado irregular e novo a cada dia. Agora preferia o segredo das coisas banais e cotidianas. Nisso avista-se um pássaro.
O estrabismo não o deixava muito confiante em olhar as coisas do mundo, pois por mais que observasse, nada era muito verdadeiro. Porque olhar é um desejo de olhar.
O pássaro avistado pousou ao seu lado direito como um companheiro mudo que espera um pouco de felicidade. Bebeu daquela água da fonte e, rapidamente, como um espasmo, voou longe. O menino ficou espantado com tal velocidade.
Dia após dia, o pássaro, nos dias de sol que se faziam, ao lado daquele menino, vinha beber daquela água permanente. Não sei se era a água que sempre estaria na fonte ou as pessoas correndo ou o pássaro mudo que davam segurança ao garoto. Este permanecia ali, com aquele lábio contraído e seu jeito miúdo de ser.
Certa vez, num dia nublado em que os pássaros não tomam água, chegou quem o homem esperava – pois de tanto esperar, o garoto vira homem - ele quase caiu no chão ao se levantar para abraçar a razão do passar de seus dias. Desaprendera a usar as pernas.
Tinha a certeza de que seria tudo diferente daquele momento em diante. Pois era domingo e, nos domingos, a cidade era só de silêncio e pedras. Também era nublado e nos dias cinzas os pássaros desaparecem. E ele estaria sem os fones de ouvidos, já que agora tinha a quem ouvir.

Pareceu-lhe estranho a desrotina num primeiro momento, mas, estranho mesmo, era perceber que, as poucas pessoas que ali passavam, mexendo os lábios, realmente só mexiam sem emitir som algum. O som da água era ainda mais esquisito, pois dela havia sido feito o homem e a água-viva. E o pássaro em seu enigma dizia:

"bem-te-vi"


Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 2. Juli 2008

(Im)pressões


Se eu continuar contigo...
A poeira comeria nossos dias, lenta. Vagarosamente se infiltraria por nossas narinas causando uma reação alérgica que não nos moveria, pois nesse tempo de amargura em que vivemos... tu nas trevas e eu vendo tudo cinza. Vamos ficar lentos feito estátuas. Estaremos duros e sérios de mãos dadas, plantados de enfeite em frente a um prédio público qualquer e serviremos de fundo para fotos turísticas.
Eu te avisei, como uma forma de me proteger, que nosso fim estava próximo. Essa maneira que encontramos de sobreviver era demais claustrofóbica, e egoísta. Esse modo que nos vestimos é estranho demais até para os nossos corpos.
Aquele dia que tu caiu no chão, em praça pública, foi o começo de tudo isso que agora vai chegando ao fim. É certo que eu te empurrei, mas foi tu quem disse (depois de eu ter fugido) que eu era irresponsável, falando do amor dos pais, dizendo que era mais forte que o seu e que nada nem ninguém poderia me amar da forma como eles me amavam. Falou de como eu deveria agir e disse para parar de negar as delicadezas e palavras bonitas de esperança que meus amigos sussurravam ao meu ouvido.
Todas as lembranças depois daquele junho são irreais. Inventei bons momentos contigo para não me arrepender de te amar e tu, cada vez mais dentro de si mesmo, me perguntando qual era o modo mais rápido e indolor de suicídio. Eu repetia que desde junho eu estava morto e não queria te levar comigo. Aqui do outro lado não há nada legal.
Copiasse a chave da tua casa para eu poder entrar quando quisesse. Mas por que tu te esquecias de trancar a porta? Lembro do velho abajour feito com coadores de café usados, que ficava ao lado da tua cama, impregnando aquele quarto com vestígios de todos os nossos dias juntos. O abajour é nosso único porta-retratos. Depois de transarmos, enquanto tu dormias, eu podia ver naquelas manchas nossos rostos, paisagens e até palavras. Como se fosse um labirinto de nós. Ainda antes de dormir eu tinha que me levantar para arrumar a casa, pois no outro dia eu voltaria para de novo arrumar a casa, querendo economizar meu tempo, namorar mais contigo.
Costurei teu velho casaco marrom e pus botões em todas as tuas camisas de cor suja que iam do rosa, passando pelo cinza até o verde caqui. Fiz questão de que tu usasses calça jeans, mas isso tudo foi antes da gente despirocar.
Tenho confusas lembranças do que foi feito com nosso passado. Queimamos as blusas e rasgamos as calças, e o que mais? Ah, jogamos pela janela as roupas de baixo e, para me divertir, eu tentava mirar na cabeça de alguém; e tu, tão instantâneo, jogou logo as malas pela janela.
Não existe perdão e nem desculpas para quem, como nós, deixou de acreditar na única palavra digna inventada pelo homem.
-Veja o lado bom das coisas, deita aqui do meu lado que eu vou te abraçar. E se é para tudo isso acontecer mesmo... deita aqui do meu lado. Não preciso de nada do que tu estás falando, agora vem cá. Vou te contar o que havia naquela mala que atirei pela janela.


"E isso realmente me marcou... agora adivinha porquê? Vai, tenta"

A som de: Cocoon (microwave, cliffhanger, june)


Jucksch, Márcio.

Sonntag, 29. Juni 2008

5 tagträumen

Abre os olhos sedento por conhecer a si mesmo; algo como complexo e crises existênciais, sabe? Abre os olhos, porque da última vez ele fechou (com a certeza de ter se encontrado), mas na sua excêntrica pressa de encontrar a cama ele deixou escapar tudo. As entrelinhas que tanto falava.
Abrindo a porta, um papel de propaganda barata lhe cobriu o rosto, e dizia algo tampouco importante:




"Por favor, não derrames mais teu pranto.
A saudade foi grande, mas já está tudo em seu devido lugar.
Dê-me um abraço e liberte os demônios que te afligem no conforto de meu peito
Aguça os ouvidos para o que estou a dizer:
Eu te amo, amigo.
Guarda estas palavras em tua eternidade;
abre teus olhos, enxuga as pesadas lágrimas e contempla;
quero a tua companhia agora, não posso esperar.
O tempo, a vida e o destino já se encarregaram de nos separar.
Preciso ouvir teu riso, sentir tua felicidade escapar...
pelos poros e pelos vãos entre os dentes.
Ouvir o estalo de teu beijo impulsivo e sincero em minha face,
sentir tuas mãos nas minhas,
me arrastando e encarecidamente dizendo meu nome.
Ouvir o teu correr e ir ao teu encontro, sabendo que estás a chegar.
Entrar em sério conflito com tua opinião,
contestar tuas convicções
ensinando-te a desprezar o próprio orgulho e aprendendo a ceder.
Amo-te mais do que a mim mesmo e quando te afastas,
é uma parte de mim que foge e depois volta como tudo nessa vida"




Há quem diga - relatos do 'povo da rua' - que ao terminar de ler, amassou o papel com o que restava de seu desejo atroz de bondade ensandecida, e riu. Dizendo, o que a mais cínica das leituras labiais compravaram, um delicioso: Foda-se, seu desgraçado! O que? Vai querer mandar no comportamento das pessoas? Nunca conteste os sentimentos de um prolíxo que... ah, deixa pra lá.



Continua


Caminhava, tentando olhar pra frente, não derrubar nada das prateleiras, nem pisar em nenhum pé de mau humorado. Sempre a mesma cautela oculta, neurótica. Procurava, despretensiosamente, qualquer velha novidade mais barata; não encontrava. Sem ser questão de sexo ou cor, aguardava alguém que coubesse no seu sonho, como diria Cazuza; não encontrava. Cansava de ouvir que o amor não se procura, porque assim ele se afasta, cansava de olhar para todos os lados avidamente, buscando um rabo de cavalo idêntico àquele que viu (ou àquele outro que via de segunda a quinta). Não, nada parecido. Convenceu-se, enfim, de que a solidão lhe caía bem e ouvia essa parte da música seguidas vezes. Tentava ler, mas não podia. Não era o que o coração aspirava... não naquelas tardes de terças maçantes e ociosas. Lembrava então do que já tinha passado, porém os fatos não se conformavam em ficar no que não volta mais. Se é assim, fique.



Continue


Tarde da noite, deitava sem pensar, sem querer mais se mover, perdia tempo com a tecnologia pedante de seu tempo. Não podia falar, nem ensurdecer para falácias - como num desejo de contos de fadas. Os livros, de conteúdo retrógrado e não imbecilizantes, remetiam-lhe a um tempo em que talvez ele não se sentisse mal; pelo menos não tanto quanto naquele exato momento. Preferia imaginar - não sonhar, imaginar! Enxergar de olhos abertos um futuro promissor, pródigo, sem solitude acompanhante e presenças indesejadas. Menos intolerante, passivo de elogios verdadeiros, amigos plenos, tudo bem; talvez um pouco infeliz, mas só um pouco. Parava por aí, pois os olhos iam cerrando com o arder e ele mergulhava em si, já que seus verdadeiros sonhos mesclavam-se com a realidade e faziam-no ter a impressão de que não sabia viver.



Continuu


Ele era um moleque, de aparência medíocre, pobre. Atraía recepcionistas de lan house, como uma mulher que as expressões faciais sintetizavam todas as frustrações da vida, ou um cara enorme, cabeludo, talvez metaleiro, porém educado. Era um moleque, resumia-se nisto, sentia-se dentro disto.
"Adivinha... ele não gostou. Não mesmo... talvez no fundo"



Continuei


Havia quem dissesse que ele era moço de negócios excusos. Janelas fechadas, porta trancada, silêncio. Era a única casa que talvez não combinasse com o aspecto familiar daquela rua. Saía poucas vezes, com roupas um tanto parecidas e uma bolsa ou outra - vermelha ou verde. O caminho da ida era o caminho da volta, o cabelo de hoje era o cabelo de amanhã, o tênis de sola baixa também. A mesmice se apoderara até dos menores movimentos e todos sabiam. E esta coisa de todo dia intrigava quem tinha o mesmo mal, ainda que a espécie fosse diferente. Esse moço das mesmas-coisas-diariamente só podia estar escondendo algo. Ninguém é tão parecido assim todo dia, o dia todo. Ele tentava achar algo obscuro quando mais nada tinha a fazer. Pensava, pensava. Algumas vezes descobria que nunca teve nada mais a fazer, pois nunca teve algo para de fato começar. Desejava um amor, mas no instante seguinte não mais; dava trabalho amar. Queria roupas novas, porém no instante seguinte não mais; lembrava que novidades assim nunca lhe proporcionavam verdadeira satisfação. Não tinha um negócio excuso, não era assim. Besteira procurar algo que não existe. É que quando se está sozinho inventa-se companhia, já ouvira alguém dizer certa vez. Se houvesse algo obscuro por ali, era a solidão terna dele.



Continuó


Lembrou-se! Assim, sem mais nem menos, sem mais querer! Todas as paixões platônicas de tempos remotos (ok, não tão remotos), da sua vida - ele não conhecia as dos outros, tudo muito claramente. Ou não?
Bem, aconteceu. As criaturas pareciam anacrônicas e, se não, eram eqüidistantes no tempo. Inexplicáveis. Paixões tórridas aos cinco anos de idade. Ele cresceu e foi ficando pior. A vontade desenvolvia-se junto, não deixando passar nada. Sempre havia alguém de aura encantadora, de imã oculto para o coração dele. Coração? É, não era assim que chamavam aquele em que botavam a culpa? Embora não gostasse de palavras fortes como esta, ele sabia cada denominação. Se não sabia, ao menos sentia exatamente aquilo. Porém, reparou, remetendo sempre à experiência, que um dia tudo acabava. Alguém levava o seu alguém embora (seu alguém?! É, ainda que ninguém soubesse). Alguém mais forte, de poder resoluto em duas mãos invisíveis, um velho carcamano que não ouvia ninguém. Ou uma balzaquiana de vestes sedutoras e atitude estranha. Então ficava só novamente - no âmago. Podia ser dolorido no início, porque a presença alheia é algo que faz diferença. No entanto lá na frente as coisas voltavam a ser como antes. E tinha esperança, esperança...










J, M.

Vá antes que morra


Se você quiser pode bater a porta. Não se importe com minha presença aqui do outro lado. Bata a porta com a força de todos os seus medos, suas angústias, seus crimes. Seja mais covarde que eu, seja mais senil que este que lhe escreve. Obedeça suas vontades inconstantes, aproveite o que elas não têm de bom. Jamais tente compreender o que eu tinha para dizer-lhe, jamais venha dizer-me que se arrependeu. Eu arrependi-me primeiro que você. Não tente agir naturalmente; não está isenta de culpa esta tua índole confusa. Vá dormir antes que lhe mate... antes.

Bruno no seu terceiro dia desesperador de abstinencia, plágio e doses homeopáticas de abstração musical - escreveu isso e pediu que postasse para que seu amor - somewhere in the past - pudesse mandar ao menos uma foto da sua querida gravata.
Janeiro de 1972

Jucksch, Márcio.

Samstag, 21. Juni 2008

Internacionalismo

Sempre. Me matam de rir. Já é hora de gravar? Quarteto. La hoje de coca no es droga. Lose, winner. Risca faca. Pinga fight, pinga fight. Defesa, ativar. Meio... The O.C. Internacionalismo. Ta querendo (...). Aula, aula. Raaaaaaarwww. Bonzinhos, bonzinhos (...). Poser. Terceira aula. Bota a mão no joelho. Aula? Tudo junto, tudo misturado. Crítico, aprensentadora e apresentador. Equipe. Prá-trá-krá.


Jucksch, Márcio.

Montag, 9. Juni 2008

Ma Sophie et ses deux absents


Duas partes distintas dele, com 12 anos de diferença. Duas histórias originadas do mesmo homem. Atribuem a mim, como sua maior herança, a personalidade. E a ele, o pequeno, o físico. Algumas vezes a opinião se inverte. Do que não há dúvida é que somos perpetuações inquestionáveis. Não saberia falar de suas virtudes, mas uma de suas vantagens é poder contar com duas versões em nada falsas para reiterar a sua dignidade. Se eu falar de sua ausência, o pequeno atentará para sua presença lacônica, a qual só compreendi quando nos encontramos frente a frente e vi que era quase um perfeito espelho. Se o pequeno lembrar-se do seu sorriso, por vezes tenso, vou sentar-me com ele e pedir que me conte mais a respeito, porque muito do que enxerguei não foi assim.

Ele gostaria de me delegar responsabilidades, sabendo o porquê delas, mas desconhecendo minha capacidade. Se ele tivesse feito, eu teria acatado para, de alguma forma, passar a aceitá-lo e conhecer a outra metade da minha história. Para o pequeno também deveria ter planos e talvez raciocinasse todos os dias, sempre que pudesse, a respeito de como lhe proporcionar o melhor. E esse era o seu jeito, aliado aos trejeitos práticos e objetivos, logo, ligeiramente tortuoso, de nos afagar.

Ao partir, ele mergulhou-me no período mais intenso, mais sofrido, mais solitário da minha vida até então. Eu poderia não me deixar intimidar ou não conceder-lhe perdão, mas o pivô de nossa separação foi a estupidez humana e uma certeza estranha que sinto, é que estúpido ele nunca foi. Chovia na hora da partida; chovia na hora da confirmação. O céu me ajudava no pranto que me desfalecia. O pequeno olhava tudo de perto, agachado em cima do jazigo azul.

O melhor presente que me deu é baseado na incerteza de sua legitimidade e demorou 20 anos. Delegou-me uma última responsabilidade: o pequeno. Essa me assombra, me pesa, me determina, me desafia. É um espelho com a metade do meu tamanho, trazendo a metade da metade da minha história. Eu lhe reflito aquilo que não viu daquele que partiu e o que ainda está por ver se me acompanhar e pudermos juntar essas histórias.

Hoje começa o 9º mês de ausência e desespero oculto. De força arrancada às pressas do nada, de busca incessante por compreensão, de luto permanente e de surpresas dolorosas.

O pequeno e eu somos duas continuações inesperadas de um mistério personificado. Gostaria que ele voltasse, nos acomodasse em seu colo e nos contasse toda a história até dormirmos, sentindo sua respiração e a paz que só reconhecemos nos braços do pai.

Sophie no 9º mês de uma, talvez, brutalidade indelével


Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 5. Juni 2008

Nunca inverno

Quando estivermos estirados sobre os brancos lençóis...
Depois de uma noite completa de realidade...
Gastarei todos os segundos da minha manhã...
Passsando meus dedos perto do teu corpo...
Sem te tocar, tocando o invisível fino e transparente...
Que nos separa dos outros, uma película de nada.

Ivan à sua amada Natasha
1945



Jucksch, Márcio.

Convulsões de barro

Eu pensei que aquilo que era uma viagem que acabaria no seu destino e as mentes insanas que me atordoaram naqueles instantes de observação explícita sairiam de si e não povoariam esse territótio insano que me é. As ondas do retorno. Evidenciei-me de tal forma que não pude fugir nem de mim, nem de ti. Um perverso codinome que embaralhou todas as situações no meio de música, poemas, prosas, imagens. Eu não separo.
As marcas de ontem ficam hoje e as convulsões libertaram o que de mais ontem eu tinha: a ilusão. A manhã nasce e estou de volta nos teus seios. Queria a fuga sem escapatória, diminuindo como pétala de outono que apodrece padecendo sob o vento.
não sei como pude, sei como sou. Saíram do meu ventre e assoaram seus narizes. Sozinhos.

Marta
Verão inglês


Jucksch, Márcio.

Ninguém chama por mim

Durmo abraçado na fronha para não sentir o pesadelo e revejo todas as bolhas de ar dentro daquele copo d'água transparente borbulharem frenéticamente. Estou estoteante. Perdi as estrelas que guardava perto da saliva e babo todas as minhas forças para agarrar o travesseiro que escorre pelas minhas pernas.

ninguém
chama
por mim.

Sophie
1913


Jucksch, Márcio.

This place is so tight.

Este lugar é tão apertado. E quando me mexo é como se os pedaços do meu corpo se retorcecem todos e realmente se torcem, já que para tirar um tatu do nariz tenho que fazer malabarismos muito próximos de um acrobata delirante - e tem dias aqui que me fazem morrer. Estou sozinho, mas não vou sem destino. Quero mesmo é esperar pra devorar o que vier pela frente e comer todo suspiro que for possível de afagar e vomitar. Meus dedos estão frios e quando escrevo ouço os que diziam, e aqueles que nem conheço.
Será que sou um presente? Chegarei a provocar uma catarse? Texto ambulante que se desenrola. Os gatos brincam comigo como se eu fosse um carretél. Vai e volta na procura da mãe. Um mílimetro de espaço retangular e frouxo - se tentasse abriria uma brecha enorme por onde poderia escapar. Fico aqui. Fico aqui, pois sei que de todos os poréns a todavia é entretanto a minha mensagem e se me amassam é porque não me sabem.
Um moinho de história que liberta os flagelados borboléticos de um lugar bem frio e cavernoso e quando esses azuis que são tão verdes saírem de dentro desse recipiente levantarei-me uma bandeira e direi:

-Paz não é mais.

O que há por fora? Estou dentro e não consigo chegar longe do remetente. Dois dedos ásperos me sobrevoam, há uma abertura! Essa mão grande e enorme me tirando daqui: decifra-me ou te devoro. O CEP está no verso "por favor, enviar resposta". Não consigo mais enlouquecer preso dentro da loucura. Acabaram de me ler e fiquei guardado na estante. Ao meu lado: Barthes, Rosseu. Lá no canto Clarice e os desgrenhados apaixonantes. Um selo, por favor. Meu destino é alçar vôo.

Sverson e um suposto e agradável telefone de Catarine
05.06.1981



Jucksch, Márcio.

Dienstag, 3. Juni 2008

In your placebo

Então deixou segurar-lhe a mão;
Macia, levemente gélida, delicada...
Olhos doces, felizes, alertas. O toque suave de seu rosto...
O abraço simplório como um alívio no meio do temporal...
Parar no tempo para uma caminhada mágica e quase secreta...

Então deixou segurar-lhe a mão,
Pois estava frio; estava estranho. Havia algo no ar...
O amor lacônico e bege...
Perceber o quanto se faz feliz e ouvir seus gestos gritando por entendimento...
Palavras perdidas em declarações subliminares, sorrisos nervosos...

Então deixou segurar-lhe a mão;
A terra molhada era mórbida e assustava...
Surgiram vazios no calor da conversa...
O vinil no lugar errado...
O som censurado...

Então deixou segurar-lhe a mão:
Acordara de um sonho incapaz.

Katryn
Sorrindo olhando a vontade pareada de Lana - Verão de 1987




Jucksch, Márcio.

Montag, 2. Juni 2008

Alipístico

Cresci ouvindo que minha avó paterna era uma víbora, que meu pai era um canalha, que meu tio era o mais simpático, que minha tia já falecida era boa pessoa, no entanto jamais ouvi algo sobre o patriarca. Corcunda, ranzinza, banguela, cabelos brancos, chapéu, alpercatas, camisa de linho; se era assim ou não, jamais soube por outras pessoas. Descobria ao chegar na sua casa, mas nas férias seguintes lembrava-me que já havia esquecido tudo e precisava observar de novo. Seu Alípio, tio Alípio, vô Alípio, sempre assim.
Alípio dos olhos azuis, ralos cabelos brancos, bengala, forte, sorriso constante, boné de modelo antigo. Gracioso, piadista, voz grave enrouquecida pelo tempo, chinelo e sono, muito sono. Do andar de baixo pra rede, da rede pro almoço, do almoço pra se perder nos braços de Morpheu. Não lhe ouvi roncar, nem reclamar de nada. Aprecia bacaba, a casa da Tatá, os sobrinhos que velho já vão ficando, os poucos netos e viajar.
Abraçava-me me chamando de Thiago. Eu explicava, sempre, sem exaustão, que era filho do Amaury e não do Aurimar. Ele entendia, mas nas férias seguintes confundia-se novamente. Sempre soube minha idade melhor que meu pai, único que faz-me rir do casarão velho do Juruna.
Quando morrer, provavelmente saberei só um tempo depois. Talvez não chore, apenas sinta sua ausência sutil e peculiar.
Parece que descobri um pouco tarde que sou neto de Alípio.

Thiago, na melancolia periódica após o sono da tarde
09.04.2002 - 08:12h



Jucksch, Márcio.

Sonntag, 1. Juni 2008

Só por travessura


Bebo por travessura. Bebo e vomito em minha cama. Bebo e prometo nunca mais ser assim. Bebo demais. Posso até tentar agredir quem me machuca e não me ama, mas o que quero mesmo é estar pronto pra outra.

No dia seguinte sempre é feriado. Ensolarado, preguiçoso e faminto. Assisto o filme da garota que fica grávida, enquanto a outra cuida das unhas e a pipoca não presta. A pipoca nunca presta. Volto com receio da misericórdia divina, da audácia do ladrão e dos desejos de quem em minha frente está.

Assim que me sento, desfruto dos 5 minutos diários guardados para o constrangimento. De tudo, de ontém, dos meus desamores. O isolamento é pudico e besta. Por estar sozinho só me resta companhia buscar e encontrar a si mesmo faz parte do caminho.

Ganho a rua, ganho a brisa. Encontro, converso e bebo. Eles não me pertencem e me apetecem. Eu seria de todos. Quartos escuros me dão noção do universo do qual faço parte; o mundo se amplia e me engole. Só até a luz do celular aparecer.

Saímos, voltamos pra sarjeta e pra vala. Eles querem o resto de noite pálida e fria. Eu carrego o coração na mão direita. O sol vai baforando sinais de vida e nós entramos no carro. Seguimos brincando e correndo. Sempre.

Amanheceu. Preciso sonhar, preciso voltar pra vida verdadeira que está além do consciente tolo. Lá onde passeio e converso com ele, onde ele sorri, de onde ele observa minhas viagens errantes e pra onde clamo por amparo.

Só por travessura.

Julian - na Escandinavia com Sasha - 01.06.1996


Jucksch, Márcio.

Samstag, 31. Mai 2008

A mulher que ficou empoeirada


O que não posso jogar fora é minha pele. Mesmo quando a poeira me faz triste e doente. Tenho um segredo: planejo desde o ano passado um suicídio muito delicado. Planejo esperar a poeira, me ver empoeirar. E depois, escrever assim: "Dormiu e acordou empoeirada".
Sentou na cama. Ficou imóvel por muitos dias. O quarto fechado. Ninguém na casa. Apenas ela, os móveis e os objetos. Todos silenciosos e em completa imobilidade. Ela respirava devagar como quem percebia a cama respirar e também as roupas e os sapatos. Ela estava muito silenciosa, e atenta. Respirava devagar. As prateleiras do guarda-roupa e as cobertas também respiravam devagar. Na rua havia ruídos e latidos de cachorro. Mas ali no quarto todos se concentravam no que havia de silêncio. Ela sentia que havia descoberto um buraco. Até que fechou os olhos e dormiu um pouco - ainda imóvel e silenciosa.
Então, dormiu e acordou empoeirada.

Irina
31.05.1972


J, M.

Sonntag, 25. Mai 2008

Dia estranho

Às vezes é preciso acreditar no impossível.
Às vezes é preciso fazê-lo.
O medo diante do absurdo, o desconhecido óbvio, um simples desejo.
Seguir na rua um estranho e nunca lhe perder de vista.
Uma avenida lotada, com tráfego caótico, um encontro de amigos, sem nunca perder de vista.
Alguém revela o pranto, caindo na calçada, em desespero, sem consolo.
Seu estranho observa; você também. Ninguém pára.
Só quem está desfalecido e você, que tem a impressão de já ter visto aquilo.
Falta pouco tempo e está quase chovendo.
O estranho tem pressa e você quase o perde. Uma caneta dele cai e você se abaixa para pegar, mas quando levanta...ele já se foi.
Jucksch, Márcio.

Seqüestre o coelho

Às vezes parece que um universo paralelo, caótico (não faltei nessa aula de História da Filosofia, não), ridiculamente simplório, conspira por algo incompreensível. Assemelha-se a um andarilho de mente sórdida, que dá rasteiras nas crianças hiperativas e assalta os pomares alheios. Duvida? Pois bem, você vai sair e a porta não quer fechar, precisa insistir até que ela pare de teimar, causando um estrondo daqueles. E a modernidade que trouxe as maçanetas seguras, enrigecidas por fora e de leveza sã por dentro, não lhe dá o direito de voltar. Suas chaves ficaram lá dentro e agora um andarilho come pêras, sentado no chão, recostado na sua porta.

Duvida? Pois não, eu... até lhe mostraria a silhueta dele, mas você já pediu a ajuda da vizinha e neste momento alguém se esbalda em gargalhadas não pausadas, cuspindo minúcias de pêra para todos os lados. Não há escada que alcançe os azulejos altos do seu andar. Os vizinhos já se aglomeram querendo saber o que você faz parado com cara de infeliz quase no meio da rua.

Eis que surge, não mais que de repente, Jarrão. O andarilho até arrisca olhar para fora, controlando o riso, ensaiando um arremesso de meia fruta na cabeça deste, porém hesita; tamanha é a massa de Jarrão, que a pobre pêra talvez voltasse para onde veio...e doeria. O gigante que sobe a rua caminhando consegue uma escada, pula a janela (tem alguém escondido no seu armário) e abre a porta. Pronto, pode subir, armar a rede e ajeitar a antena. Ahhh, mas a vizinha lhe chama! Cozinharam peru, jogaram no tucupí, com arranjos de jambú. Vá comer, que o andarilho sabe voltar sozinho. Aliás, dizem que o nome dele é Destino e no tal universo paralelo tudo acontece em nome dele. Duvida? Pois continue.


Jucksch, Márcio.

Gia

Apaixonei-me por ela. No fim de mais um domingo cinzento, deitado de bruços, esperando algum vestígio de insônia, eu observava a TV distraidamente. Mudando os canais a cada dois segundos, juntando os pés para tentar amenizar o frio, que mesmo embaixo do cobertor, ainda conseguia sentir. De repente, ela surgiu. Ela não – Gia surgiu. Apareceu como um presente, uma festa surpresa, simplesmente Gia. Assim a dona Insônia sentou-se ao meu lado com uma tigela de quindins. Partilhou comigo o nascimento daquela paixão fugaz.
Gia era linda, quase perfeita. Só não o era, porque não era minha. Seus lábios eram o meu pecado, seu sorriso meu paraíso. O corpo um verdadeiro deleite. Hiperativa, impertinente, doce, impulsiva, assassina, perdida. Gia amou, derramou, fechou os olhos, visitou o inferno e quase não voltou. Viciou-me. Sim, viciou-me em seus gestos, em sua voz, em seu sexo, em sua vida. Enquanto me hipnotizou pelas próximas horas, dona Insônia espalhou-se na cama, deitou no meu colo.
Como quem acorda de um pesadelo, Gia se foi sem que pudesse perceber. Dona Insônia já até roncava, enquanto meus olhos não queriam se fechar. Recusavam-se a esquecê-la, pois não era qualquer uma. Era Gia. A noite passou, o sol escancarou as cortinas com vigor, mas a única luz que eu via era dela.

Lexter
28.02.1958 - 21:43




Jucksch, Márcio.

Grande porto

Nunca fui de promessas. Passei a ser quando ser sincero não adiantava mais. Não olhava para o rosto das pessoas; não para depois saber enumerar cada defeito e, sim, para saber quem era quem. Era superficial em muitos sentidos, menos quando se tratava de mim. Conhecia-me, entretia-me, aventurava-me, bastava-me. Egoísta não, introspectivo. Pés não se incomodavam com a pedra quente, braços cansavam rápido contra a correnteza, cabelos pesavam - nunca gostara deles -, coração não parava.
Ainda não conhecia bem os livros, desconsiderando os da escola, mas já perguntava-me o porquê de quase tudo que me cercava. A goiabeira, a cerca onde acabava o nosso quintal, a parabólica enferrujada, as palmeiras da entrada da casa, as bicicletas quase grandes demais, os parentes de visitas freqüentes, o balneário, a piscina gigante (de plástico), a garagem recém-construída. Preferia o pão da padaria mais distante, o lanche do bar Tabajara, acampar com crianças mais medrosas, fazer guerra de carrapichos, chegar na escola ao simplesmente atravessar a rua.
Foi-se.


Jucksch, Márcio.

The place

Abria as janelas, varria os cantinhos das brancas paredes, dobrava os lençóis quase corretamente, observava a rua por dois segundos. Sentia preguiça quando deparava-se com a pilha de roupas a organizar; preferia cozinhar. Lavava o arroz lentamente, sem perder a sensação estranha e boa que os grãos úmidos, juntos, proporcionavam.


Jucksch, Márcio.

Samstag, 24. Mai 2008

Ama-me, bastardo!

As vagabundas levantaram com vontade de dar as bundas. Gratuitas, a quem quiser, com rum e licor. Os malandros viram a mesa da jogatina com fúria, desprezo, raça. Os homens dementes de decência apenas tomam um capuccino, observando os traseiros graciosos dos garçons. A criança teima com um sorvete de mabé, embora a avó diga que não pode.
Hoje todos têm direito de dizer e levar um Foda-se para casa. Um Foda-se vale mais que mil palavras.
Lambuzaram-se com o rum das vagabundas os malandros, porque elas lhes pertenciam.
Acabaram com a tinta da caneta de $40 dólares os senhores da decência ao quererem deixar um guardanapo com oito dígitos escrito no bolso do garçon.
Chorou até doerem os pulmões a criança, sem perceber que os olhos da avó também se derramavam em doídas lágrimas por não entender como mabé só pioraria o cancêr daquele anjo insano de cisma.
Corra e não se deixe para trás.


Jucksch, Márcio.

Dizer apenas não basta

Ela não sabia da tensão nos meus lábios quando lhe ouvia dizer "Eu te amo". Era como se tentasse guardar o momento para sempre entre as partes tencionadas, como o terno segredo que muda o semblante do ouvinte e sua vida nunca mais é a mesma. No entanto, ele já escapulira porque paixão e momentos são amigos do tempo. Receio que ela não me ame mais no instante seguinte. Abro os olhos e ela ainda joga os cabelos como antes, sorri perto da minha boca, minhas mãos ainda lhe afagam e o coração...
Dizer a frase de amor não basta, eu quero chorar de emoção acumulada e tola. Não consigo, não há como. Continuo de olhos abertos e ainda estamos aqui.


Jucksch, Márcio.

Pacto

Quando lhe beijei selei um pacto de paciência e compreensão, aventura e tentação, insegurança e conformismo. É que nada podia nem deveria fazer com seu passado e pouco sabia do que me serveria o futuro. Os sonhos não me revelariam o suficiente para abandonar a ansiedade e fechar os olhos sem hesitação. Você me atraía para uma liberdade compartilhada, porém tímida, necessária, mas complexa em seus primeiros passos. Assim guardei teu cheiro em mim, pra mim, pelo momento. Continuamos a falar dos outros tão naturalmente por causa do que éramos antes e do que almejamos preservar. Também falamos nele, porque não há ser que escape da idéia. O que me atormenta não é saber que ele existe e, sim, o entendimento muito claro que possuo dessa realidade amarga.


Jucksch, Márcio.

Constatações e observações

A vida me ofende e eu tento retrucar na mesma medida, mas não consigo. Hoje os hóspedes chegaram e dissiparam um pouco da má sorte e do marasmo dos últimos tempos.

Estava a conversar com a "Pessoa Distinta de Modos" e tudo parece clarear até os mais insolentes hábitos de revolta sólida.

1 - Descobri que esquecer um ex-namorado é questão de pareamento de estímulos e que jamais devemos voltar atrás uma vez sequer, pois será bem mais difícil afastar-se de novo. Informação muito válida e coerente.

2 - Um simpático rapaz se apresentou e em 5 minutos deu até pra conversar sobre cinema. Não era um pretendente. Era uma prova de como a vida ofende e me afaga simultaneamente.


É necessário compartilhar estas constatações e observações.


Jucksch, Márcio.

As últimas madrugadas têm sido de lembranças


Que saudade de fazer corte pros meus pais no dia em que passaram uma tarde inteira conversando sobre epidemiologia aqui na sala de casa. Eu olhava a cena com a vontade pueril de que durasse para sempre, pra que uma certa história houvesse começado e terminado completamente diferente.

Que saudade de amar aquela mulher, com medo do tempo que se esgotava e com a intensidade do meu vigor. Aquela garota que despertou o melhor e o pior de mim, de quem sinto um medo nulo de estar longe, através de quem sinto bem-estar porque há distância.

Que saudade de brincar de Lego na sala daquela casa grande, bem localizada, naquela cidade bucólica. Depois eu subia na goiabeira e comia goiaba amarela.

Que saudade da inabilidade da minha mãe pra cozinhar e ainda assim fazer lanches maravilhosos pros três filhos. Não que ela tenha melhorado, mas é que mãe é mãe e tudo que vem dela é meio precioso por si só.

Que sensação boa de liberdade, a do melhor tipo. A que emana de mim e faz a vida parecer melhor, mais forte, mais palpável, mais verdadeira.


Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 7. Mai 2008

°

Márcio Jucksch, 87; tupiniquim cheio de suíngue latino; míope; psêudo-estudante; eterno amante (escroto) de filmes positivos & pb; jeito bem tezão de biscate; descobriu o mundo recentemente; batalhou em copa e acha que já viu de tudo. é só isso mesmo. =B

Marxenhu - (1815 - 1715)


p.s.: ai, esse meu gingado sulamericano na europa...


Jucksch, Márcio.