Dienstag, 28. August 2007

Confiança


Talvez eu tenha um jardim secreto (...) Nele você há de encontrar tudo o que procura, deseja (...) Também há quem diga que, apesar de ser dito que seja meu, o tal jardim não faz parte de mim (...) Espero que sua paciência seja imediata (...) Ah! Mas o interessante é que esse jardim fica a milhões de kilometros de distância de nossas sombras na hora do "Sunrise" (...) A lenha queima diante dos olhos mais distintos (...) Pode ser que eu te sinta em qualquer parte da casa que seja; você é sempre mais presente do que sua forma ausente nos momentos a dois (...) Creio que o mesmo vento que chega a queimar teu rosto, seja o mesmo que me afaga frente ao mar (...) Também posso crer que a mesma justiça que nos condena, seja a mesma que me faz te amar a cada dois milésimos (...) Pode ser que a água acumulada na copa das árvores, seja a mesma que cause tantos efeitos ilusórios na minha mente fluente (...)


Pode ser apenas que eu queira dizer que teu abraço, teu cheiro, teu riso, tua presença, teu cabelo, tuas roupas, teu andar, teu crer, tua fé, teus limites, teus momentos antagônicos, tuas crises divinas de egocentrismo, tuas horas na janela, teu suor de tanto pensar, tuas mentiras sapecas, tua raiva explosiva, teus medos mais medíocres, tua bagunça cotidiana, tua toalha molhada, tuas cenas magestrais, tua letra na parede do quarto, teu tênis vermelho, teu livro de alto ajuda, teu amor paterno, teus banhos solitários de chuva, tuas dores... Apenas, digamos assim, me fazem falta... Da saudade, muita saudade, sabe? Chega a doer o coração, a alma em cada parte; mesmo naquelas partes menos visíveis, entende?

É muito difícil, pra eu, dizer isso. Então apenas me olhe, mesmo que daí, é daí! E escuta o que eu tenho pra dizer: Eu te amo muito. Amo muito!
Não me olha assim. Eu disse que isso, pra mim, seria e sempre vai ser difícil de dizer. Mas apenas você, você! Vai escutar isso... E pode acreditar que é o mais puro de todos os fatos antes mostrados. Alguém chegou a mencionar nos meus ouvidos, um dia, que verdade não existe e jamais existiu. Desculpe se eu pareço ser tão vazio.


Ei! Só uma ultima coisa: Eu te amo mesmo que não seja recíproco - disse com um jeito lívido e um vago sorriso no rosto triste, porém feliz.

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 26. August 2007

Sintonia


E hoje eu subi no murinho
Apoiei o braço no alta da cerca
E descancei a cabeça
Ganhei na vontade de querer mais e mais
Abri os olhos, olhei o céu
Vi imensas nuvens negras percorrendo um enigmático caminho
Em alta velocidade
Algumas apenas solitárias
Sentindo os pingos de chuva no rosto
Eu apenas me consolava até o âmago do bem feitor
Fechando os olhos descobri vontades inexatas
Sempre os repetitivos pingos
Mude, mudei, mudamos
A pura vontade de tornar seca a alma
O fim de tarde sempre mais emotivo que o contorno da natureza

É mágico!

Jucksch, Márcio.

Samstag, 25. August 2007

Questão?


A questão não é afogar-se; a questão é: Eu pular na piscina e espalhar água pelas partes virgens.
A questão não é colocar a arma na boca ou na cabeça; a questão é: Tu achar balas suficientes para matar teus pensamentos à sangue frio.
A questão não é partir com a dúvida de não ter feito um singelo pacto de amizade; a questão é: Ele enteder que saudade não é olhar pra tras fazendo com que o coração bata os limites de velocidade, que o adeus não é igualável ao infinito e que existe uma estrada maior que a razão.
A questão não é dormir com o peso na consciência; a questão é: Nós e nossa consciência, suportaremos o peso adiquirido por ter a vontade e obrigação de viver aquilo que dizem ser "efêmero"?
A questão não é simular uma desilusão pouco prática; a questão é: Vós sabes que, por mais volúvel e neurótico que pareça, a miragem e o fundo do poço são tão aconchegantes quanto os braços da mãe em dias de crise do eu-lírico de meia-idade.
A questão não é pensar que tudo acaba a sete palmos abaixo ou acima do ego; a questão é: Eles não cavarem a cova mais fundo do que lhes convém e, sim, apertarem as mãos; sendo que nesse meio tempo podem descobrir que o amor não seja uma matemática tão complexa e surge quando realmente menos esperamos, assim, naquele parquinho de aspecto tão infantil, quando alguém lhe pergunta as horas ou, simplesmente, se vai pegar o mesmo ônibus.


A questão em questão seja (talvez) eu apenas ir dormir e dizer: boa noite, amigos!


Jucksch, Márcio.

Samstag, 18. August 2007

Farias


A sua tolice é falha
Minha falha é triste
Nossa tristeza é um brinquedo de enganar
Equívocos são convenientes
O que convém é tendencioso
Sua tendência é mentir
A mentira pode servir à plena lealdade
Ser leal quando alguém precisar
Aquela necessidade é tua
E tu és minha
Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 9. August 2007

Lee?


Heinrich caminhava nervoso pelo apartamento. Revirava a mesa, os armários, por entre os livros, buscava as chaves. Reluzentes, preciosas. E Lee sabia onde estavam? Não, e nem queria. Limitava-se a serrar as unhas, sentada numa das cadeiras frágeis que ele comprara no mês passado. Fingia não ver, não ouvir as reclamações desesperadas, não sentir o cheiro de suor e perfume masculino dos mais caros que ele começava a exalar. Este cheiro que lhe trazia protetor solar e correria à mente. O som dos passos, da borracha do tênis em atrito com o azulejo branco e não varrido, é que a traziam de volta para a sala calorenta.
Heinrich sempre detestara aquele descaso constante de Lee. Ela parecia nunca estar aqui, nunca se importar com nada, nunca ouvir ninguém. Onde diabos ele deixara as chaves?! Podiam estar em qualquer lugar, que nem a consciência da garota sentada em uma de suas cadeiras novas, a qual sujava o chão com o pó que fazia de suas próprias unhas. Ele tinha tanto nojo daquilo; lembrava-lhe a imundície de Gorki nos quartos dos hotéis que dividiram durante a viagem pela parte feia do país. A saída de ventilação! Será que caíram lá?
Depois de debruçar-se na janela da cozinha, o rapaz foi atender a porta mais suado ainda. Lee queria um ar-condicionado. Heinrich não imaginava que era o zelador trazendo suas chaves. Lee lembrou-se que ter um caso com o zelador não era tão vantagem assim; ele também vivia em um forno mal-arrumado. O jovem zelador explicara a Heinrich que as chaves estavam caídas no terraço, mas ele, Heinrich, nunca foi ao terraço.

Jucksch, Márcio.

Hic At Nunc


What, honey?
- An angel, mom... an angel.

Então assim se foi. Cortando o ar delicadamente, com asas invisíveis, negros cabelos esvoaçados, até diminuir a intensidade, fazendo os pés pousarem maçantes no asfalto morno das 8h da manhã. O sol projetava sombras desproporcionais, os transeuntes pareciam se multiplicar a cada passo; quanto mais se aproximava da avenida, mais barulhos desconhecidos ele podia ouvir. Sabia que depois daquela esquina encontraria o velho mundo viciante de sempre e tudo que pôde dizer foi:
- An angel, mom... an angel.
Jucksch, Márcio.

Samstag, 4. August 2007

C'Mere


Apagando as luzes, acendendo uma brasa longínqua de qualquer Lucky Strike achado no caos do seu mundo, sentando como um fracasso personificado, encostando a têmpora em tão dolorosos joelhos, observando o breu. É assim que você me seduz. Suspirando pesarosamente, com ar de quem desta vida nada mais teme nem espera.
Batendo metodicamente os pés no chão de ardósia, este quase congelado pelo inverno da madrugada, apoiando-se no móvel que ainda cheira ao depósito de onde saiu. Então, você me fascina.
Ouvindo o silêncio terno do quarto vazio, você não ousa falar, pois não quer despertar suas ilusões. Mexendo os dedos intimamente sufocados pela presença do mesmo par de tênis nos últimos três anos. O que é muito tempo, o que pode ser cedo ou tarde demais, o que é porque tem de ser. Fechando os olhos ingênuos e vacilantes por dois segundos, fazendo percorrer um calor tênue desde quando resolveu nascer até a última ponta dupla do cabelo deste exato momento. Você me orgulha.
Contemplando o céu, apenas encaixando o queixo no dorso da mão, não ligando para a fumaça inebriante da brasa que você esqueceu, rebuscando uma imagem das pessoas que mais amou, deixando um leve sorriso e uma lágrima escaparem dos seus desejos. Conquista-me.
Pesando prós e contras, batalhas e calmarias, vontades e sonhos, conquistas e hesitações, eu me calo. Lembrando que o tempo não pára, que até as brasas se apagam – e por quê não as estrelas? –, que a escuridão é uma questão de escolha, pois foi você quem apagou as luzes, levanta-se furtivamente, sentindo os pés e os poros mais que nunca, caminhando levianamente para um lugar que você não quer imaginar. Só chegar.
Que insólito! Apaixonei-me por mim.

Jucksch, Márcio.

Prada



Arrumei tudo, combinando suas tangerinas com limões frescos, a prataria da bisa com a porcelana da vó francesa, estendendo a toalha vermelho-xadrez, assando o peixe no horário em que o sol namora com as marés. Vesti o linho estampado, calçei as sandálias rasteiras, fechei os livros de Álvares.
Is it love or is it hate?
Embalei os lírios na brisa, cerrei os olhos e cresci na vontade de ser para sempre. Corri até a margem, sentei no fim e quis saber. Esperando você chegar.
Toquei nas lembranças com mãos de mãe, assoprei o que estava em desalinho, silenciei.
Limpei as cadeiras, escolhi o melhor dos planaltos. Recortei suas palavras e colei lá.
Para lhe esperar.
Mas você me fez cansar, deixou meu querer empoeirado numa caixa de marfim, alimentou meus sonhos irrealizáveis, trapaceou na ciranda menor. Então, acabou-se. Esclerosou-se o tempo, atrofiou-se o espaço. Dormis vós que já é tarde.

Jucksch, Márcio.

Drei


O primeiro:
- Não volto mais, é perda de tempo.
O segundo:
- O caso não é voltar. É preparar-se desde já.
O terceiro:
- Pode ser, mas de mim ninguém escapa.

O primeiro:
- De mim é que fogem.
O segundo:
- Se não parecesses tanto com um fantasma, não precisariam tanto de mim.
O terceiro:
- Besteira! Deixem de 'mim', o fato será sempre eu.

O primeiro:
- Tu? Ah, às vezes lamento por ti, objeto de obsessão.
O segundo:
- Isso é. Até me esquecem!
O terceiro:
- Não te deprimas, tu sabes que sem um o outro não existe.

O primeiro:
- Compraste tabaco?
O segundo:
- Não, não quero. E tu?
O terceiro:
- Não me perguntes nada. Sou o inefável momento da surpresa.

Jucksch, Márcio.

Montag, 16. Juli 2007

Depoimentado 2


"Beijei um garoto. Me apaixonei, transei, senti saudades. Passamos os fins de semana sem sair da cama, sentindo aquele gosto de amor inesperado e jovem, exalando cheiro de meninice, dando risada do que não tinha a mínima graça. Tomamos banho quase juntos - eu tinha vergonha - e ele pedia pizza de atum. Ligava pedindo colo, fazia dengo 1:30h da madrugada. Íamos a festas íntimas, de conhaque a caipiroska improvisada. Quando me cansava de todos, sentava para observá-lo; aí ele se fazia mais bonito, assim de propósito mesmo, e eu me apaixonava de novo. Não de novo porque o de antes tinha acabado e, sim, paixão somada a paixão, sempre mais.
Ele morava com o pai por capricho, porque trabalhava e podia se manter muito bem. Eu não aceitei uma cópia da chave de seu apartamento, claro que não. Então ele também não aceitou uma chave do meu e ficamos assim à mercê das campainhas. E gostava de viajar aquele garoto! Quase sempre a trabalho, ligando de 2 em 2 dias. Sei que lembrava de mim constantemente. Certa vez foi à um programa famoso, foi entrevistado sem querer e não temeu falar do nosso romance. Me apaixonei de novo depois dessa e certifiquei que, definitivamente, seria foda me separar dele. Não que eu quisesse, mas aconteceria um dia...
Se dedicava muito ao trabalho. Com o notebook pra lá e pra cá criava coisas formidáveis. Tinha talento para Publicidade, ainda que eu nunca tenha sido muito chegado a esses estudantes lá na faculdade. Era quase três anos mais velho e tinha riso de adolescente, bumbum também. Os amigos perguntavam o que ele queria com esse namoro e ele respondia: "Ser feliz". Eu reconhecia aos poucos que era exatamente isto que eu era quando estava perto dele, apesar de seus esquecimentos (principalmente do seu supermercado do mês), das brigas por causa da abstinência sexual repentina, da implicância com meu jeito introspectivo das 6:00h às 7:03h da manhã.
Lembro de quando, num fim de semana anacrônico dentro do meu quarto sem cama, ele disse que queria um filho meu. O que podia dizer para um homem no auge da paixão, da juventude, plenamente amante e amado, que desejava um pouquinho mais? Pôde escolher entre homens e mulheres, porém enquanto homem pleno que era, jamais poderia fugir do instinto maior que é o sentimento de paternidade no futuro. E o que diria a quem eu amava e daria todos os filhos que quisesse, se fosse possível? Não foi preciso responder, pois ele leu em meus olhos de 17 anos que não havia o que dizer.
Nunca entendi como certas pessoas, entre elas minha mãe, enxergavam aquele universo como uma aberração. Aquela criatura que descansava lívido, lindo, vagando entre sonhos secretos, que se espalhava no meu leito de forma apetitosa e cálida, jamais poderia ser uma aberração.
Ele queria saber o que eu estava lendo, o que estava estudando, o que queria pro almoço do dia seguinte, o que é que curaria minha dor de consciência, o que é que eu sonhava em noites chuvosas. Gostava de dormir nos meus braços, de preferência com a mão no meu peito. Pode?! Claro que pode, podia...
De mim, tinha o que quisesse... e ele me queria.
Eu disse que um dia aconteceria de acabar, lembram? Pois acabou. Dava certo demais, era amor demais. Às vezes dava muito errado e isso era dar certo; me puxava, me tirava sarro, me degustava, me desprezava pra depois me querer muito mais. Isso me consumia, é verdade, e eu começava a querer dar um rumo pra vida quando ele batia na porta e dizia que me amava. Era um rumo e tanto! Mas não enxergava futuro pra mim; não atrapalhava, mas não garantia nada. O problema era tudo se encaixar e eu mergulhar de cabeça. Terminamos.
Não houve coisas a serem tiradas da casa do outro; só as lembranças e a dúvida de ter feito a coisa certa, mas recusaram-se a sair e é com elas que almoço agora. Hoje sei que ele não fuma mais, nem quer comprar o dvd de 'As Horas', justamente na época em que sobra nas lojas. Não rói mais as unhas, esquece as lentes de contato onde não deveria, voltou a desligar a TV antes de dormir. Semana passada, um respeitável e despeitado amigo seu, veio dizer que se namorar um garoto de 17 anos pareceu uma merda, separar-se dele foi merda maior ainda.
Não mais nos encontramos ao acaso. Pra ser mais exato nunca mais desde o último dia.
Hoje chegou de Porto Alegre (viajou com o pai) e ligou-me dizendo:
- Olá. O Orly me pediu pra avisar da festa na casa dele hoje às 21:00h. Ele não sabe que não estamos mais juntos, mas não custaria fazer esse favor. É isso.
Repetir o recado da secretária eletrônica várias vezes parece coisa de mocinha apaixonada de filme, mas eu fiz. Lembrei de quando nos conhecemos e reparei como esses momentos estão sendo parecidos, começo e fim de namoro. Não de amor, de namoro.
Ele tinha certa aversão a nos imaginar como um casal gay de simpáticos velhinhos e eu consolava-o dizendo que iríamos morrer antes disso. Mas não morreremos hoje, porque nos apaixonaremos pela milésima vez e dessa não teremos medo."

Jucksch, Márcio.

João Alberto Capiberibe


Claro! Tinha que ter uma simbólica homenagem, né!? Tipo, a minha vontade é de chamar ele de tio outra vez... hahaha.
Meu, eu acho esse cara muito tezão (no melhor sentido da palavra... vai entender, né?). Eu acompanho a história desse DEUS há 8 anos, meo... OITO ANOS!!!!!!!!!!!!
Lembro que as primeiras ameaças da minha foram que eu, quando pudesse, votasse nele; e assim o fiz. Basta acompanhar a história pra que isso aconteça... ele pode, ele é fodástico de vez em sempre!
Agradecimentos especias à Jaiana Carla Giarola Carmezim por ter tirado fotos e feito um vídeo com ele - com a minha DIGITAL - na casa dela no ano de 2005... ela também pode, ela é demais. Desculpa se eu não posso ter reuniões políticas com o Capiberibe na minha casa, ta Jaiana? Hahahaha.
Sabe, tem um quadro ampliado dele no meu quarto. Tem que ser assim...

Capiberibe, tu és tri intelingente, tri maneiro, tri eterno dono do AMAPÁ, tri meu tio, tri tezão, tri prefeito, tri governador, tri senador e, sim, por que não um... SUPER SAYAJIN!!!

Jucksch, Márcio.

I hate that!



Queria uma explicação convincente para tal asco. Cara, é sério! Nunca gostei mesmo!
Sei lá, minha mãe diz que é frescura e às vzs até tenta me fazer beber isso... eca!

Mas essa foto não está legal e nem mostra muito o café. Mas acho que é melhor assim, pois estou quase vomitando só de olhar isso...
Apenas porque não estou com criatividade de escrever algo decente.

Jucksch, Márcio.

Freitag, 13. Juli 2007

Por vãos

"E a grandeza cabia-lhe na mão.
Então em vão me chegarão,
Por vãos e vãos de mãos dadas.

E por mais que eu permita, me falta inspiração.
Por nesgas me aparecem idéais.
Vão então que por vão me chegarão.

E a fraqueza cabia-lhe uma contra-mão.
Mão de quem? Então por vão tão quão,
A mim avisarão que de amor me servirão.

De mim por ti, de eles por deles,
Aqui, ali; lá, a-cu-lá?
Por aqui não vi... e então...

Me cuida o teto desagradável do pós-parto!

Até mais ver-se-ão?

Jucksch, Márcio.

Mittwoch, 11. Juli 2007

Te amo muito


E claro, foi em mais um desses dias nessa cidade tosca que não me reserva nada para fazer, saca? Desculpa o palavriado, mas foda-se! Eu já estou me enchendo de tudo isto; tem dias que não to legal mesmo e não quero ninguém por perto. Não gosto de ser assim; apesar de tudo, posso dizer com total clareza, que tristeza e raiva não combinam comigo...
Jaiana, estou pensando seriamente em ir pro Rio de Janeiro, contigo, no inicio de setembro. Cara, seria tudo passar pouco mais de um mês na cidade maravilhosa!

Jucksch, Márcio.
Te emo pra caralho!

Ich liebe das


Oh oh, senhor tempo! O senhor não conseguio nos fazer esquecer;
Oh oh, senhora distância! Por mais longa que pareça, Brasil(Macapá, Minas) se estende à França.

Sim, porque as melhores tardes só são as melhores quando eu consigo ficar com elas "conversando na mesma janela". F-o-i-s-e o tempo que moramos próximos... E nosso amor é psicodélico e nem nos importamos.

Oh, negãs! I missed youSSS a lot...! Mas, calma, julho de 2008 está logo aí...
Meo, as férias estão condenadas a serem em Macapá Rock City... A gente tem que ir no xOmpPinG -> linguagem de miguxa. Hhauahauahua.

Mas eu ainda consigo passar minhas férias com voces no Rio de Janeiro; muita bala perdida, assalto, tour no morro do alemão. Bah! Eu quero ser muito turista no Rio antes de chegar em Berlim e exclamar: Cara, esse é o tipo de coisa que tu fala como se tivesse com um amigo carioca: brother, eu to muito na Europa!

Há braços e beijos!

Me chame de Frank


-Você me provou ser uma ótima dançarina.
-Oh, senhor Frank... digo... Frank...! Apenas me dignifico a fazer o melhor.
-Eu sei. Por isso te elogio. Mas me diga, o que uma linda mocinha faz desacompanhada e dança com olhar distante?
-Ah, apenas sigo meu ritmo, senhor... opa! Apenas tento seguir meu ritmo, Frank.
-Certo. Mas seria um crápula se não lhe oferecesse um drink... me acompanhe.

Minutos depois...
-Meu relacionamento com Edy apenas me comporta decisões rotineiras... mas sei lá... eu o amo.
-Aposto que você o deseja mesmo... com tudo o que lhe é inerente.
-Sim, acho... sempre venho aqui a 00:00h me prestar à um pouco de conforto. Música, dança me liberta de uma forma impressionante... Oh, desculpe! Falando tanto de mim e nem te deixo soltar alguns verbetes...
-Não não! Está sendo um prazer escutar sua linda voz... não se abstenha.
-Bom, mas também me contento com música. Sou um empresário, digamos, frustrado com as decisões tomadas por outrem e que hoje interferem em tudo... na verdade, só queria um mapa de mim.
-Mas, apesar de tudo, vejo que você ainda mantém esperança no olhar, Frank. Isto é encantador.
-Sim... digo de "boca cheia" que sou feliz dentro do que me foi reservado.
-Tornei-me sócio deste clube e não o largo por nada. Mas, vamos à mais uma dança, minha querida?
-Oh, claro, cavalheiro! Somos serenos neste ponto...

E juntos foram dançar...

Jucksch, Márcio.

Thinks better



E o arroz que havia de ser desgustado. farinha espalhada pela mesa. O feijão a ser cozido. Frascos e frascos - mais parecida um cientista. O modelo de ebulição lhe crescia. Sempre há de ti respeitar. Respeitar-te-ia?
E ninguém mais ouviu um sussurro sequer. A malcrição tirava pontos. E assim, como quem não quer nada, apenas olha pela janela e imagina atravessar a rua e chegar na escola... assim.

Jucksch, Márcio.

Izabel...


(...) e nesse rítmo desenrolava a inutilidade da tal mulher. Ela apenas sorria com olhos marotos e garantidos de sua eterna agonia. Percorria a mesma distância todos os dias apenas para tentar um desencontro; ela era mais esperta do que pensavam. Mas Izabel estava consciente que depois da ponte sua história acabava sem final feliz; ela jamais atravessara, ou mesmo se atrevera a tal ponto. Ainda assim inquietava-lhe a cuca, fazendo com que sua ânsia por descobrir qual seria seu final trágico, clariasse suas idéias. E, assim, decidiu arriscar seus valores e atravessar a ponte... e foi certo, Izabel atravessou e morreu; e viveu feliz para sempre (...).

Jucksch, Márcio.

Don't you agree?

Sento-me, às 15:00h, no centro da capital do país.
Minha história começa mais ou menos à esquina do boteco de seu Zé. Sempre atonito, me conta as peripécias de seu filho, cuja única ambição na vida é ser aviador; Camila, sempre com aquele olhar atraente, me convida à uma saida a francesa.
Já no outro lado da rua, dona Carmem observa tudo com olhos de gavião. O sol castiga toda aquela comunidade. Mais adiante, nos sentamos na banca de jornais de seu Antônio - sempre simpático e com aquele jeito moleque de contar piadas e aproveitar a vida; dona Xica, sua esposa, prepara alguns quitutes para dar de lembrança aos turistas nordestinos.
Próximo à promotoria, seu Gurjão vende suas "bijous"; homem solitário que perdeu a mulher em um trágico incendio depois de 35 anos de casado. Na frente do antigo bordel, seu Carlindo e seu Maurício, divagam sobre a situação política ali ocorrida.
Gentilmente Camila me traz uma fatia de bolo de cenoura. Conversa assuntos da faculdade. Camila quer ser publicitária; seu irmão, Geovani, sempre sai às 17:00h para àquela tentadora pelada matinal. O pai deles, seu Bernardo, faz consultorias para alguns restaurantes; vontade de ter um próprio nunca lhe faltou.
Sempre à procura do futebol na tv estão kiko e pedrinho. Com apenas 10 anos, mas já afoitos pelo esporte; deve ser influência do tio Aguiar.
Abro o livro, mas não alcanço duas páginas; acomodo-o no colo, mas logo serve de proteção contra o sol. A poesia se esvai pelo ralo neural. Consumo o que é de propriedade do fictício. Neuroses observadas por frases desconexas; 3 minutos de ascenção negra. O plebíscito infernal. O glúten me é necessário. O jogo cruzado de pernas no vai e vem; o sapato aperta. O cheiro de tinta sufoca. Me faz crêr que sou de carne e osso; sou de plástico. O bruto lapidado na rubrica ríspida do algoz.
Assim passavam-se os dias além mar. A necessidade se diz ausente. Saudades do que um dia será. Verá?

Jucksch, Márcio.

Dienstag, 10. Juli 2007

Is this love or desire?


Ask me, ask me, ask, please!
You know, man. I love her... She's can imagine...
Ok, I sei that mon englisch cest très bizarre... But mein französisch também...
Mas, meo, eu sprache deutsch, got it? Isso é ser poliglota.

Erica, eu te amo e adoro tirar a roupa pra ti na cam; mesmo quando tu diz que eu estou gordo.
Mano, you can stay under my umbrella. E por mais que tu só queira saber do teu boyfriend, vou deixar no orkut: nice to meet you... if you don't respect mon erica... I'm gonna cut something off... and I promise... that will be things you will miss...!
Eu sou muito assassino! Não se reprima, não se reprima!

Jucksch, Márcio
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Sinestesia!


É sempre assim. Tudo acontece depois de uma noite mal dormida. Acorda cansado e vai direto para a sala; de sofá de capa vermelha, almofadas vermelhas, alguns projetos de portas atrás, umas bicicletas inutilizadas. A mesinha de vidro parece solitária no canto, se não fosse pela imagem de Nossa Senhora, segurando seu filho, que abençoa o humilde lar.
A cozinha sempre com aquele aspecto "família"; digamos que há uma competência superior diante disto. A mesa ainda com lembranças da reifeição anterior; a viagem orgânica segregada. A geladeira - a primeira vista - não combina com o aspecto moderno desta parte da casa; ela está descascada, mas sempre suportando o excesso. No quintal, alguns patos e algumas galinhas; isso de forma nostálgica. Levanta, liga a televisão, olha o telefone, o café à espera em cima da mesa, os chinelos jogados no chão (...).
No quarto, duas camas; ao lado do guarda-roupa, muitas sacolas com produtos de higiêne; o criado mudo ao lado comporta alguns acessórios de manicure e alguns celulares. A moça vai em direção ao banheiro carregando um balde que exige muito de sua força, já que tem dias que falta água no bairro.
Tudo nesta casa é velho. Ratos dominam o fôrro.
O fogão, apesar de limpo todos os dias, tem sempre suas gotas matinais de oléo. O guarda-louças velho e sem portas guarda as mais lindas porcelanas. Muitos copos de temperos que agora são usados como taças de champangne.
Algumas notícias de sempre nos noticiários, os programas mórbidos da manhã que ensinam como cozinhar a massa cinzenta para servir de refeição do dia. O chão sempre cheio de poeira, insetos mortos. Aí, vai ao computador para viver o relacionamento virtual o mais intesamente possível. A formiga que anda no monitor não chega a incomodar, ela se torna a companhia mais agradável na sessão surrealismo. Ao lado, no hacker, alguns dicionários e uma caixa de celular; era tudo desordenado. Oh, Deus! Diga onde tudo isso vai parar? Mas Deus nunca responde perguntas simples.
Na estante, o mesmo de sempre. A garrafa artesanal, pintada de verde, chama a atenção, sim; o borrifador amarelo também é sútil aos olhos de quem vê. O emaranhado de fios de televisão, computador, dvd e telefone permitem mais do que o apropriado; desorganização!
Está tudo fora do lugar. Mas me desculpe... só assim que eu me sei, meu amor.
Jucksch, Márcio.

Montag, 9. Juli 2007

As almas também sonham


As almas também sonham
Sonham com a ausência da solidão que habita em mim.
Até quando ouvirei esses gritos de socorro?
As almas também cansam
Cansam com a insistência de abrigo
Até quando terei que ficar de fora?
As almas também choram
Choram porque dói.
Até quando irei ficar sem essa cura?
As almas também amam
Amam porque necessitam.

Giarola, Jaiana.

Amanhã


Espero que as coisas mudem.
É chato deixar de falar.
Espero que ocorra como da primeira vez.
Foi real.
Foi normal.
Foi como suporta o rancor de uma pequena discussão.

Mudou, sempre muda.
Não fala, insinua.
Agora é só esperar que vai mudar.

Giarola, Jaiana.

A vida no vale


A vida não vale
O que você pensou
Desistiu sem ao menos tentar de novo
Deixou pra depois
Nem sempre temos outra chance
Não desista.

Há uma saída
Vá em frente
Busque ajuda
E se não encontrar
Estou aqui.

Vale muito
O que quiser o amor.

Giarola, Jaiana.

A descoberta



Desde quando preciso de regras?
Ninguém percebe o quanto me amo,
Tenho que fazer valer a pena.
Eu não sou a única; sim, me amo, mas apenas no primeiro momento.

Apartir de agora vou começar a postar alguns poemas da minha grande amiga Jaiana.

Texto: Giarola, Jaiana.

Vanille


Il y a des êtres à qui l'on ne dit pas adieu, pas même au revoir parfois et qui vivent ainsi avec nous ne sachant pas très bien ce que l'on attend d'eux. Ils s'approchent sur la pointe des pieds comme inquiets de déranger, ils passent quelques heures sur notre épaule et s'enfuient à la première sonnerie du téléphone. On ne les sent souvent qu'au coup de vent dans le cou qu'ils soufflent en s'envolant et au léger sourire qui flotte alors sur nos lèvres. J'ai un ami très cher, comme ça , qui n'est jamais revenu de Tahiti, il est éternellement jeune et beau sur une plage inconnue et dépose sur ma joue, de loin en loin, des baisers au goût de vanille.

Erica, isso porque eu te amo muito; a saudade está me matando. Porra, só de pensar que tudo isso está acontecendo na tua vida e eu não estou aí pra comemorar litros contigo. Cara, apesar de macapá ser uma cidade tosca, lembro de tudo o que vivemos juntos aqui; já se vão anos de amizade e pensei que tu irias voltar aqui para, novamente, comemorar tudo o que devemos e estamos passando. Precisamos fazer o outro lado do nosso amor nascer em Paris; e, sim, eu vou ao orkut do teu namorado (Guéééuuurry, hahaha) pra dizer à ele pra cuidar muito bem de ti. Se não - sinto muito -, mas vou enxer ele de porrada.
Essa minha banana com vanille está mulher. Droga! Odeio não ser onipresente! Sinto que estou cada vez menos integrado ao Sistema Erica de Televisão - sim, Silvio Santos tem parte importante na minha vida, principalmente quando ele perguntava "você veio da carava de onde?". Hahaha.
Amor, mais uma vez lembrei de ti quando li isto aí. Não se reprima, não se reprima! Bah, os Menudos já falavam há anos por mim.
Te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo te amo.
Ich liebe dich ich liebe ich liebe ich liebe dich ich liebe dich ich liebe dich ich liebe dich ich liebe dich ich liebe dich.
Je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime je t'aime.
I love you i love you i love you i love you i love you i love you i love you i love you i love you i love you i love you.

Meo, eu sou muito poliglota. Diz se eu não talento, mano?

Jucksch, Márcio.

Solitude


L'amour passionné est un leurre magnifique qui nous rend aveugle, sourd et le plus souvent crétin. Je ne le conseille à personne, pas plus que l'alcool ou la drogue..... mais personnellement j'ai passé dans ce sentiment les plus beaux moments de ma vie. Je crois que je donnerais dix ans de ce qu'il me reste à vivre pour retomber amoureuse et souffrir et pleurer et me traîner par terre aux pieds d'une salope magnifique.....
Sans passion, on est bien, on rencontre vraiment l'autre, on est vraiment soi, mais on garde en permanence au coeur comme un reproche, la nostalgie de cette personne que nous fûmes dans cet état de folie qui ne guérit même pas de la solitude
Car la passion, loin de rompre la solitude, l’exalte, la rend insupportable. On est toujours seule à aimer dans cette exacerbation de soi qui rend la rencontre impossible . Seule et poreuse car oh combien corrosive pour l'âme et la peau , est l’altérité absolue de celle qui se dérobe.
Vanile, essa é é pra ti. Oh, Oh, mon Vanlie! Hahaha.

Lembrei de uma situação bastante interessante. Jaca, muitas áres de saudades de ti!

Jucksch, Márcio.

Pródigo assim



Certa vez perguntaram-se se ela tinha um lado bom. Questão, no mínimo, impregnante; ao menos para quem tinha teima congênita. Nas viagens de casa para lá, de lá pra cá, de cá para onde quer que levassem, repousava o livro no colo e partia numa divagação silenciosa a respeito disto. Remontava peça por peça alguns fatos, tentando não deixar escapar nada que parecesse relevante, mas até o relevante era por demais relativo. Não era bem o caminho. Voltava a ler.
Um dia, um bem normal - na real, peculiar para ela -, os raios solares matutinos mais intensos que ela já havia visto desde o dia em que caíra naquele poço mofento do sítio, invadiram o leito e pareceram dar-lhe a resposta então. Não estava prestes a morrer, porém num segundo tudo passou diante dos olhos (pareciam mais ter transcendido uma barreira insólita do tempo) e constatou: era uma filha da puta, no sentido não literal, mas prático do que lhe convinha.
Uma filha da puta de braços abertos para o mundo. E sorriu.

Jucksch, Márcio.

É assim mesmo



- Não quero sanduíche, quero comida.
- Sobe que eu te encontro assim que achar uma vaga.



Arroz branco. Ele comprou o jornal e quase esqueceu os óculos. Frango à milanesa. Ainda que tenha pena do dinheiro, manda pagar com a nota gorda. Filé com quatro queijos. Não há nada que compre a mais ínfima amizade por mim. Nem minha presença. Picadinho à jardineira. Parece amnésia de 17 anos, mas nem isso conseguiu apagar os traços da natureza. Seriedade dispersa, controle disfarçado, responsabilidade trivial. $10,08.



- Uma Coca-cola, por favor.



Alumínio gelado, plástico escorregadio, porcelana pesada. Ele brinca com os cadernos esportivos, policiais, mundiais. Jogo o troco como se não quisesse nada. Aquela mulher teima em comer um pão mais largo que a boca; eu só acho salgado. A fila para a pizza cresce; famílias acham-se confortavelmente acolhidas sob um teto burguês; eu só sinto-me imune. Todos tão feios, desformes. Hoje todos estão terrivelmente deselegantes, sem compostura que lhes caiba. É interessante dividir a mesa com ele, porque assim não transformo minha face em uma grande interrogação procurando a resposta certa para "É seu pai?".
A vida não é mais a mesma e isso basta para compreender o aconchego oculto de sua presença.



- Opa! Tem uma chave de carro caída no chão, senhor.
- É minha, obrigado.




Ele é impassível de movimentos, sabe fazer pose de pai importante e eu sei comer como filho legítimo. É sábado à noite, jornal do domingo seguinte, alimentos de buffet, gente demais.




- Pai, terminei.

Jucksch, Márcio.

Liza,


Vê se dessa vez presta atenção! Embarcarei no trem das 19h, que me levará até Jundiaí. De lá pego um carro e vou até Santos, onde um navio com destino à Europa está me esperando. Partimos na sexta, sem data para a volta. Se você estiver se perguntando por que não fui direto de trem até o porto, é sinal de que ainda não encontrou seu espírito aventureiro. Avise mamãe que não fui eu quem comeu a última porção de broa (e que trago, se ela quiser, mil vezes mais das melhores broas italianas); diga ao Pelé que quando voltar jogo aquela pelada que fiquei devendo e guarde o baralho francês do papai na caixa amarela de papelão (embaixo da cama, no lado esquerdo e, de preferência, antes que ele sinta falta). Aquela calça pendurada no varal é do bilac. B-I-LA-C! Não do Rangel!
Enfim, cuide de todos, lembre de mim sempre com carinho, sempre como o irmão amoroso e atencioso de todos os momentos.

Galhardo
PS – Ah! Se sentirem minha ausência, diga que fui dar uma volta.

Jucksch, Márcio.

Depoimentado!




Ainda me recordo de quando entrava em sua casa querendo não lhe atrapalhar. Você nunca estava à vista. Arrumando algo, de forma que eu apenas ouvia os ruídos, fingia não dar conta da minha presença, como se há uma hora já não soubesse que iria chegar. Sua expressão de surpresa e sorriso tímido de quem não queria estar desocupando armários às 15:00 de quarta-feira lembravam-me que você merecia um chocolate de maracujá. Mandava-me sair já do cômodo, oferecia-me uma cadeira plástica - porque era o que eu merecia - e olhava a bagunça cotidiana da mesa. Então, às vezes o telefone tocava e ninguém queria atender. O toque impertinente, repetitivo, chamando alguém; você levantava maçante, lazy-lazy, tirava-o do gancho e nada pronunciava para ele enquanto não terminasse a frase que começara 10 segundos antes.

Jucksch, Márcio.

Oh, my!


No momento de desespero:

-Mas, senhor, eu juro que não fiz nada disso! Eu lembro que estavamos no quarto, meu irmão e eu, e deixei minha bolsa lá. A não ser que... ah, Mário! Como podes ter feito isso? Agora estamos os dois nessa situação.
-Cala a boca, idiota! Não sei do que você está falando... Olha, senhor xerife, eu não sei de nada do que ele está falando... ele deve estar louco. Apenas o encontrei na rua e ele, como é meu irmão, me deu uma carona. Não sabia que ia acontecer tudo isso (...).
-Meu Deus! Como você pode ser tão cínico, Mário?! Você estava no quarto e pegou minha bolsa e os documentos para poder pegar o carro. Senhor, foi ele que cometeu todos aqueles crimes! Só que era meu nome que estava no documento... Seu filho da p...!
-Sai daqui!
-Marcos!
-O quê?
-Falei alguma coisa?
-Não!
-então cala essa boca...!

E graças à Deus ele calou a boca.

Jucksch, Márcio.

Afetado por osmose


É fácil dizer que deixou enganar-se pelo coração quando na verdade apenas acordamos felizes, nos apaixonamos pelo primeiro sujeito - na maioria das vezes inexistente - e nos aventuramos em um beco sem saidas agradáveis por poucos trocados.
A música sempe lembra algo daqueles muitos momentos. O sol sem querer brilha mais que o normal. A cama é sempre triste nos momentos de monologo. O relógio, sarcásticamente, pára. Mas como sempre o coração insiste em deixar claro que é mais cretino que qualquer coisa; apesar de estar pensando seriamente sobre algumas coisas.
O incrível é, que quando o "mundo cor de rosa" desmorona, tudo que era tão alegre e brilhava tanto não mais acontece. É um típico ensaio de nossa querida realidade. Ah, o amor, seria mais fácil acabar com outros tipos de fome do que essa... que coisa infame.

"Eu sou branco. Mas calma, talvez isso seja apenas um efeito.
O céu é azul,
As pombas são brancas,
A vida é rosa,
E eu gosto de você".

Aviso/warning: É somente nas misteriosas equações do amor que qualquer lógica pode ser encontrada.
It's only in the misterioues equations of love that any logical reason can be found.

Jucksch, Márcio.

meant to be


"E isso está entre as certezas de que a vida pode ser maravilhosa".

Jucksch, Mácio.

Sick and tired...

Era sempre a mesma cena. Entrava em casa com as pernas bambas e mal agüentando o peso da consciência. Tirava os sapatos e os jagava ali mesmo perto da cama; a roupa, como sempre, suja de todas as loucuras possíveis que se pode viver em um dia na cidade transeunte. O sono lhe quebrava ossos, o catatonismo obrigava-lhe a questionar o mundo frente ao espelho; a vida parecia constante por demais. Quebrou todos os vasos que via. Cortou algumas roupas e enxugou o rosto. Passou meia hora embaixo do chuveiro, a água limpava a superfície; pensou sobre uma possível viagem de trem, mas não era confortável. Decidiu comprar um carro, mas isso atrairia mulheres desonestas. Pensou em criar um mundo, mas logo desisitu depois de aceitar que teria que morrer por poucos crédulos; quantidade era necessária. Resolveu ir à feira, mas eram três da manhã, os sintomas de gravidez falavam mais alto. Voltou à sala para continuar a quebrar pouco mais que podia. Queimou vários livros na lareira. Sentia-se menos místico; odiou perder o "q" de transcêndental. Tomou trinta xicaras de café sem leite. A sensação de onipotência era visível...
Ah! Ele estava melhor.

Jucksch, Márcio.

Samstag, 7. Juli 2007

Liebe!


"Porque metade de mim é amor; a outra, também".
Sim, mais uma vez o Oswaldo Montenegro falou por mim... kkkk.
Meo, neste exato momento estou tentando entender o por que de eu ser tão cretino. Eu sou muito cretino.

Mãe, te amo!

How I love you...


Mentira. Era uma mentira encantadora tudo o que Roberto cantava em meus ouvidos. O excesso de detalhes inundava as paredes verdes jamais tocadas por outrem.
Suas mãos tocavam partes estratégicas do meu corpo; era como se ele traçasse uma tática de ataque. Na verdade, sempre me abstive sobre suas verdadeiras intenções. O sol entrava pela janela como quem não quer nada; não pedia lincença para expulsar as sombras do que costumava querer existir.
As nuvens faltavam em ocasiões especias. Me sentia tão feliz. Felicidade requer concentração - me sentia tão lívida diante do acaso, descaso (...).
Sorria sem preocupações posteriores; meu olhar ia longe. Ele começou a contar passos distintos, a acariciar meu cerne; parece que aos poucos tentava roubar meus pensamentos à sangue frio. Mas era tão óbvia toda aquela situação. Ele era excessivamente prosáico em seus gestos... que entrave!
Depois de horas, nossos olhares finalmente se encontraram. Foi um mergulho tão profundo, de certa forma posso dizer que senti medo de ir tão fundo até o desconhecido. Minha primeira atitude foi fechar os olhos e beijar sua boca. Foi algo triste. Ele é doce; não é agradável descobrir que, o que aparenta estar intocável, pode estar tão cheio de machucados que provavelmente não poderão ser curados. Alguns podem dizer que são coisas da vida (...).
Mas Roberto é forte; jamais estará sozinho, estou com ele. É fato que me sinto na obrigação de cumprir tais coisas... e é muito bom! Isso faz eu quase esquecer toda a falta que ele fazia em dias intermináveis de solidão. Mas meu amor é amor e ninguem mais sabe; só eu sei, Graças à Deus!
A extenção dos riscos que corro diante de tanta contentação é discutível. Eu posso tudo. Não posso ter medo de amar. Talvez em outra vida não tenha a mesma chance.
Ele continuava à traçar sua intenções em meu corpo... Tenho a certeza que naquele exato momento eu estava sendo seu mundo completo.

Jucksch, Márcio.

Freitag, 6. Juli 2007

See at the sky

"Cansado, ele olhava para o chão à procura de figuras geométricas sobrepostas".

Adieu, mein loves (meo, eu sou muito poliglota!)

Jucksch, Márcio.

Donnerstag, 5. Juli 2007

Hass!


Você poderia muito bem chutar o balde e dizer coisas das quais vai se arrepender por muitos minutos. Mas quem sabe dizer se nesse balde há o esperado? Você pode muito bem mudar o mundo, meu mundo apenas com a cópia da chave da minha casa; você poderia sentar no balanço e pensar no quanto perdeu por conformismo acumulado; suas doses extremas de alter ego desolado destroem minha cabeça em horas de ressaca; nós poderiamos correr pelo mundo apenas vestindo nossas meras ocasiões; eu posso te dar a certeza que meu mundo gira em torno das tuas decisões mais dispersas e que esquecem até o seu próprio eu; nós podemos criar enumeras personalidades afim de se amar, amar, amar; tuas dores são minhas, minhas variações são tuas e sempre minha tua alma; se tu choras, eu amo; se tu ama, eu me odeio; devaneios me são necessários; tu és um devaneio; tu és minha... tua minha vida, meu amor, meu torpor, meu ardor, eu já vou (...).
Por favor, antes de sair me cubra, me dei um beijo e feche a porta.

Ich liebe dich!

Obs.: aos homens da minha vida. Por mais passageiros que foram, por mim passaram, deixaram... sua marca.

Jucksch, Márcio.

Tricor


Estavas patética com aquele vestido, Walquiria! Sabias?
Assim começo a pensar que está deveras necessitada de um homem, mulher. Valha-me Deus! Parece que tem fogo por debaixo dessa saia.
O senhor Jurandi pergunta sempre por carlinhos. Fico pensando o que ele tanto quer com meu menino. Desde que ele acusou meu querubin de ter roubado toda a carga de peixe do mês, não o perdo-o por tal injúria. Ora, francamente! Parece que somos mendigos, ou mesmo ladrões para ter atitudes tão infames.
Minha vontade é de largar toda essa vila as moscas. Bandinho de gente pobre.
Oh, Cândida, cala-te, mulher! Estou cansada de tantas reclamações infundadas; já te escutei por demais hoje. Reclamas tanto de tua atual vida quando, na verdade, deverias pensar que tudo isto é por tua própria culpa. Deverias ter pensado bem quando resolveu roubar o marido de Gertrudes, pois perdeu uma grande amiga e o marido também. Longe de mim querer intriga, mas que homem safado; deixou Gertrudes pra viver contigo e agora te larga e vai embora com uma garota de 15 anos... É por isso que já aderi à modernidade e hoje sou amante de meu entiado. Sou assim, e sou feliz! Me sinto tão mais mulher por ter um homem de verdade que mata essa sede de tanto desejo; meus 44 anos me permitem coisas sempre imagináveis (...).
Oh, mulher, nem parece que és minha irmã! Nem para afagar minhas mágoas serves... Eu mereço!
Ah, minha irmã! Deixe de aborrecimentos e dei de ombros. Queres ir à um chá na casa de Rosa?
Mas é claro, deixe-me apenas apanhar meu chapéu e minha bolsa.

Jucksch, Márcio.

Descontração


Estou na minha casa, em Macapá. A chuva me consome kilometros de atenção. Fuck off!
Sabe, me sinto tão nada a ver com o excesso de novo que está acontecendo na minha vida, mas que no entanto não posso aproveitar.
É inegável a minha indignação com os litros de pessoas que procuram respostas para a coisa ao lado. Mas o ser humano é assim, sempre complica o simples... e essa sempre vai ser a condição de vida de um fantoche.
Ainda bem que eu me sei capítulos.

Há braço e beijos.
Auf wiedersehen!

Mr.: Morrison


"Cause you give me something, That makes me scared, alright. This could be nothing, But I'm willing to give it a try, Please give me something 'Cause someday I might know my heart..." Morrison J.

Just a litlle homem-nagem. Sei lá, passei a confiar mais no bom gosto da Vaneli; mesmo que eu nunca tenha duvidado... só em algumas coisas.
Je t'aime!

Só Deus Sabe...


"A bunda, que engraçada.
Sempre sorrindo, nunca trágica."

É Drummond, Porra!
Sabe, esses dias ando me sentindo tão baixo quanto tudo que do chão não passa. Mas lembro-me do quão poliglota sou e logo fico feliz. Diz se não tenho talento, mano?!

Porque Drummond resolveu falar por mim antes mesmo de eu nascer

Ah, só pra deixar bem claro... EU ODEIO MACHADÃO! Tipo, ele é muito "não sei o que lá", ça va?

Jucksch, Márcio.
Como estou: entorpecido por doses extremas de licor de jaca.

Te adoro, Teodora!


É porque somente assim que consigo definir esta subserviência diante do comodismo a que te sirvo.
Se diante do beijo selamos, o que pensávamos ser um pacto de justiça para com nossos modelos inúteis, eu me dizer um cadáver, não estranhe. Apenas sentimentos desleais consomem o pouco de selvageria que habita em mim. Agora te pergunto, o que fazes ao meu lado se nada quer com meu funebre intangível?
A minha pele se dissolve diante da tela negra a qual apenas me desenha em um mundo nada observado... será que todo cretino se entorpece na fuga do atroz!? Talvez tenhamos sempre que viver, viver, viver e... tolerar toda a prepotência saturada dentro do conceito de pacifismo. Eu me acho um lixo; apenas encontra-me e usurfrua do bloco envolto de felicidade.
Neste momento te odeio mais que minhas decisões pendentes. Assim prefiro, pois sei que jamais sairás do meu cerne.

Te adoro, Teodora!

Jucksch, Márcio.

Sonntag, 27. Mai 2007

Luxúria

A noiva em suspiros e com intermináveis momentos alucinógenos de flashbacks olha para seu cavalo à procura de uma solução. O marido a ponto de uma explosão de detalhes mortíferos saca a arma e aponta para a cabeça do pai de sua prometida... Era literalmente um conto mexicano. As putas em seu espaço sangrento de vida, trabalhavam absortas envoltas em pensamentos pouco marotos. O cafetão cobrava-lhes obediência até a alma. As brigas por coisas banais aconteciam assim como em qualquer outro lugar. O forasteiro invade a cidade a procura de seu espírito perdido e do tal amor de anúncios de jornais. Com a arma em punho mata dois bandidos que agarravam a garota que servia o almoço dos grandes homens. O cenário de tantos atos abruptos e algozes era uma cidade do interior de Lugar de Sempre, algo meio que achado dentro de um grande deserto. Conformados de que aquilo era o certo para suas pequenas vidas, os moradores apenas ocultavam de suas mentes a verdadeira intenção do propósito vital... Matá-los!Mais uma vez a noiva aparecia em cena com sua magnífica aparência destruidora. Estava trajando seu vestido branco perola bordado em diamantes, com uma longa calda e um véu que cobria-lhe o rosto pálido. A imagem era estarrecedora. Queria correr dali pra um lugar em que pudesse viver... Algo que há muito não fazia. Em um de seus lapsos, correu para o quarto de seu pai, abriu a gaveta e pegou a arma que havia ali. No bordel as putas tramavam a vingança contra o cafetão. Ele por outro lado ria do esforço das mulheres e esbanjava seu dinheiro aos quatro ventos fumando seu charuto. Com um olhar de superioridade, apenas diminuía e mostrava o asco por estar no mesmo lugar que elas. No bar o forasteiro pediu apenas um copo d’água e parou para refletir mais um pouco sobre o que veio procurar na pequena cidade... Talvez nada! Um grupo de pistoleiros o olhava com malicia e prontos para começar uma disputa “por tudo ou tudo”. A cidade era castigada pelo sol. As noites eram frias e causavam lembranças nostálgicas. Cético. Era um lugar perfeitamente sem aqui nem ali; longe de tudo, perto de nada. O luxo de ser inexistente, sem propósito e podre. O carma de ser mais um entre poucos. Tudo na medida do impossível; na insensatez da concordância, do compreensivo; na vergonha do ético, educado e cheio de fé; na linha limítrofe da loucura de fulanos, na insanidade construtiva de certos Wild’s. No local onde seria realizado o casamento, chega a noiva. O marido corre em sua direção e a puxa pelo braço. O padre começa o rito. Ela chora e diz não querer destruir a vida mais do que já fez. O marido não se comove e, puxando seus cabelos, a faz ajoelhar-se diante de todos. Ela levanta e vai até o cavalo, pega a arma e aponta direto para o coração de seu noivo e atira (...). A bebida envenenada vai ao encontro do cafetão. As putas comemoram dentro do quarto bebendo champanhe. Era o fim de tudo e o começo do infinito. Ouvindo o disparo da arma o forasteiro corre em direção ao local e encontra a noiva em cima do cavalo. Amor à primeira vista. Eles se beijam e partem em seus cavalos rumo ao mundo. A cidade continuou o mesmo antro de... Luxuria!

Jucksch, Márcio.

Montag, 21. Mai 2007

Inóspito

Porque a minha Lua de tão apaixonada pela própria noite, já não deixa mais o Sol mostrar seu brilho e ostentar formas de vidas efêmeras. Os surfistas, em protesto, ficaram de luto. O senhor que todas as manhãs, em companhia da menina, sentava no balanço para contar-lhe histórias, com o egoísmo da Lua, agora somente dorme ao som do vento mexendo as folhas nas árvores. A menina, em uma crise interminável de alegria, apenas ri da satisfação no semblante de seu avô... Ela só quer mais uma história (...). Mas se minha árvore regredisse até um ponto de extrema piedade, talvez eu pudesse mudar meu nome para... Felicidade!
Eu realmente não entendo! Apenas folhas secas atravessam a janela. Tanta coisa revestida em utopia. Crises de três copos de água com açúcar. Puro alcoolismo insensato.
A criança no colo da mãe apenas confunde o ônibus com um imenso carro de doces. Mas qual seria a melhor perspectiva de vida sem demasiada hipocrisia cancerígena? Elas são espontâneas e vêem o mundo na sua primeira forma aos olhos de qualquer um, ou seja... Puro. Elas são puras. Nós somos puros. Eu sou puro. Mas preferi aderir ao sistema só para manter opiniões equivocadas de que sou inteligente e, de certa forma, intangível. Tudo isso pra gritar para o mundo inteiro que... Eu te amo! Mas qual será a verdadeira intenção do amor? Ele é sempre perspicaz; te pega na hora certa, lugar certo... Mas por ironia, é sempre a pessoa errada. Idéias são sempre bem vindas. Eis que surge a lâmpada que te salva. É claro! Podemos nos apaixonar todos os dias. E por pessoas diferentes, em lugares diferentes e mundos diferentes; não pensando no mundo como algo imenso. Ele é tão pequeno que posso te encontrar na parada de ônibus protegendo-se da chuva que não pára.
Eu me olho no espelho e apenas o que vejo – como já disse uma pessoa muito especial – é um primata de luto. Mas nunca acreditei na teoria da ciência de que evoluímos de seres tão livres e sem nenhum tipo de selvageria grotesca que passamos todos os dias; exceto, logicamente, pela sua natureza animal. Mas isso é tão ambivalente.
Acredito, sim, em Deus. Aquele que todos me dizem ser cheio de amor e esperança em uma nova vida. Seria Deus o grande alquimista que criou sua própria praga? Digo que acredito, apenas por ele nunca ter mentido pra mim.
Outro dia tentando sair de uma entropia – enquanto via meia dúzia de rostos inanimados – pus-me a uma verdadeira prova de fogo: conversar com Deus e Buda. Idéias cretinas sempre aparecem em mentes pérfidas. Mas sempre valorizei e valorizo minha vida. Raiva e tristeza são coisas tão mesquinhas, que não me atrevo a querer conhecê-las em sua intimidade mais ambiciosa. Foi tão bom ficar entre tais divindades. Mas posso dizer que jamais pensei em sofrer tal dor no coração. Eu morri por três horas, acho.
Deus está tão enfurecido com a sua magnífica criação, que aceitou um cigarro e uma dose de absinto pra relaxar. Sim, até ele sofre crises de altíssimo nível de álcool, nicotina e pessimismo em relação a seus erros. Literalmente rock and roll. Ele diz ter dado inteligência como forma de libertação e melhor condição de vida, já que Eva comeu a maçã. Em controverso, ele apenas vê a destruição do próprio recurso de vida. Empáfia. Médicos e Juizes brincando de assumir a imagem e poder do criador e julgar pessoas, fatos, modos; filósofos em busca da inalcançável metafísica, quando a verdadeira resposta está a três centímetros de seus narizes. Juro que tentei pegar em sua mão e tentar apaziguar seu coração com palavras clichês. Mas ele pediu silêncio. Disse que queria curtir o momento ménage à tróis. Quem sabe poderia ensurdecer-se com o silêncio que gritava sinfonias de Bethoven em seus ouvidos. Notei que ele criou uma ilusão. Somente quando vi sua imagem refletida no espelho, percebi seu rosto triste e coberto de lágrimas. Isso me fez acreditar que não sou imune a tristeza e que não posso fazer todos rirem e sempre estarem felizes. Não gostei. Vivendo e aprendendo, ele disse.
Matei o inseto que subia no meu pé. Buda censurou-me.
Queres fazer uma ou mais pessoas felizes e não dá devido valor a vida? Seu ponto de ignorância afeta minha paz. Vamos conversar.
Não acredite na vida como ponto único, menino. São tantas singularidades, que nem eu consigo explicar. Mas podemos encontrar vida nas plantas, árvores, campos, oceanos, vento, insetos, animais (...). E preste atenção que tudo isso te repassa vida e tem função importante na tua existência. E, como agradecimento, são todos pisados como algo sem sentido. Ainda assim continua seu trajeto. Mas tu és demasiadamente promíscuo. Não te obrigo a aceitar e entender tais coisas como única opção.
Calma, Buda. Ele não tem culpa. É apenas mais um de meus erros – disse Deus com cara de escritor intimista.
Sei. Mas como qualquer outro erro, deve ser concertado e reduzido a nada – disse Buda com toda calma.
Seria um atentado a minha própria vida e existência se fizesse isso. Tu sabes que descartei uma de minhas vidas por todos que eu acreditei serem dignos. Já não posso aproveitar o descanso de domingo – disse Deus em umas de suas tragadas.
Não assumas essa culpa sozinho. Afinal, também sou culpado. Resguardamos-nos tanto em nosso ostracismo, que esquecemos dos poucos que nos dedicam seu breve tempo. Em suma somos egoístas – disse Buda com lágrimas nos olhos que, nesse momento, afetava a minha paz de espírito.
Basta dessa filosofia de galinheiro. Vocês são culpados sim. Mas sabem que em um ponto tão avançado como esse em que estamos tentar achar um culpado ou mesmo culpar-se, é inútil. Não existe gravidade de erros e, sim, um breve momento de reflexão.
Na verdade vocês só ganharam status de Deuses por terem criado algo, que com certeza, é toda a parte podre de vocês. E apenas o que restou no corpo central foi: paz, misericórdia e bondade. Nada mais somos que vocês em um dia de fúria se ainda fossem completos. Chega a ser o ponto da duplicidade de vidas únicas. Eu sou Deus! Vocês criaram ilusões e assim vamos viver. Quem sabe um dia a verdade venha à tona, e poderemos sentar neste mesmo lugar pra rir de tudo o que passou enquanto vocês brincavam de ser isso que chamam de... Deus.
Quero, nesse momento, ignorar tudo o que sou e que vocês queiram que eu seja. Esse momento não existe. Estou preso em um caminho negro. Já não encontro minha luz no fim do túnel e, nem mesmo, me encontro; os trens não podem ser ignorados... Já pressinto um na minha direção. Afinal, por que vocês deixam que a Lua prevaleça seu egoísmo diante do Sol? Tudo é egoísmo. Falso. Quero sentar na cadeira e sentir a chuva. Quero me sentir limpo. Isso é possível?
O senhor que estava dormindo, acordou. A menina estava sentada ao seu lado segurando o livro e tentando ler a história que todos os dias o velho repetia. Ele apenas olhou para ela, depois para o céu – que estava escuro - e com um olhar triste voltou a dormir. Tudo parou. Tempo já não mais existia. Era o fim. Mas a menina, não conseguindo ler, aproveitava para rir das figuras engraçadas do livro. A alma de uma criança não pode ser tocada por coisas pérfidas. Sua felicidade era mais que tudo; mais que tempo, dia-noite, tristeza. Era ser feliz e sem preocupações.
A avó olhava tudo com uma calma desesperada por resposta sobre um momento tão sombrio. Mesmo com tanta coisa sem explicação, ela continuava a lavar as louças sujas e a enxugar delicadamente. Cada um é cada um. Isso é fato! Seu vestido xadrez traduzia em forma de abstração suas dores e alegrias. Olhou para a mesa e pegou seu livro de receitas. Esse momento merecia um delicioso bolo de chocolate com laranja. Encontrava forças no sorriso da neta que se divertia na noite que deveria ser dia. Queria apenas um abraço de seu companheiro. Era mais que desejo. Talvez uma necessidade que dilacerava corações e dimensões. Pegou seus ingredientes e começou sua arte. Queria algo nunca feito antes, a ocasião merecia. Estava tão frio. Olhou mais uma vez para o jardim e viu que ao lado da menina crescia uma rosa branca. Ela enxergou a verdade. Tudo aquilo nada mais era que a própria vida manifestada em corpo sólido. Por que tem que ser assim?Olhei desesperado para Buda. Preciso regredir. Quero minha mãe. Um abraço nada mais que reconfortante. Diga-me onde encontrar o relógio que irá me indicar o caminho do útero. Preciso de paz. Essas imagens de sofrimento afogados em uma tigela com massa de bolo era algo ludibrie. Letal.
Apenas olhe. Isso nada mais é que o rosto por trás da máscara – disse Buda.
Não quero! Dói muito – reclamei.
Se for seu coração, posso ajudar, acho – disse levando sua mão em direção ao meu peito.
Nesse momento a dor aumentou, e ele disse:
Olha! A imagem talvez não seja agradável – disse Buda com meu coração na mão.
Já não sentia mais nada. Eu estava cada vez mais morto. Entendi que o que acontece com o corpo não é a tal morte que todos pensam que é. Isso que não estava sentido mais era morte. A verdadeira morte é essa, e ela tem vários níveis. Deus disse:
Vivendo e aprendendo. Já li teus pensamentos. Agora sabe que aquilo que todos cultuam e se entristecem no chamado enterro, nada mais é que o... Nascimento – explicou.
Segura teu coração e veja o quanto resiste à vida que tanto ama e diz entender – disse Buda com fúria nos olhos.
Olhei para outro ponto do mundo e vi um garoto na janela da casa brincando com um soldadinho de chumbo. Todas as imagens de crianças felizes tornavam-se ambíguas... Ilogismo de minha parte. Ao mesmo tempo em que parecia ser não era.
A moça sentada no banco da praça esperando por algo era violentamente apaziguadora. Uma carta caiu do céu e ela pegou, leu e abriu um grande sorriso. “Alguém por aqui olha por ti e te protege”, estava escrito.
Protège moi! – ela exclamou.
Essas pessoas não enxergavam que tudo parou que não mais existia tempo e que tudo o que procuram ou esperavam, jamais iriam encontrar ou alcançar.
Olhei para um ponto mais além e vi o homem que dirigia falando ao celular, o cão que olhava fixo para o poste... Era tudo desconhecido.
Deus disse:
Só o que podemos fazer é olhar. Não me atrevo a descer onde fui crucificado. Apenas porque não mais faz sentido. Não vou parar de dizer que tudo é aprendizado.
Façam silêncio. Preciso recuperar minha paz. Essas voltas só vão retardar o aprendizado do garoto, Deus – disse Buda em tom de censura.
Outra coisa que essas pessoas não notam é a obsessão da Lua pela noite e pelas estrelas. É uma causa quase que perdida. Narcisismo por algo que ela faz acontecer. Essa auto-fascinação destrói até ela mesma, falaram Deus e Buda.
O Sol estava se apagando e logo já não ia haver vida em parte alguma. Esse sistema estava desaparecendo.
A Lua olhou para todos e se enfureceu. Não gostava de ver todos tristes já que tudo estava bonito e ela estava feliz, oferecendo algo que muitos não tiveram oportunidade de ver. Deus tentou explicar que seu fascínio estava acabando com tudo que era significativo para esses seres, sem tom de censura. Ela era esnobe. Apenas virou os olhos e riu.
Como posso estar acabando com tudo. Minhas noites e minhas estrelas são perfeitas e meu amor por elas é inigualável. Tente convencer outro tolo, homem.
Mas as estrelas começaram a se apagar. A lua ficou assustada e perguntou o que Deus estava fazendo. Ele disse que tudo era conseqüência de seu egoísmo para com o Sol.
Mais uma vez o velho acordou. De dentro da casa a mulher olhou e ficou feliz. O cheiro do bolo chamou a atenção de todos. As flores cresciam, a grama ficava mais verde, o vento ficou mais forte e agradável; a menina não parava de rir... Queria entrar no livro.
O avô colocou a menina em seu colo e lhe deu um beijo. Ele pegou o livro e começou a ler. A mulher tirou o bolo e cortou em fatias e levou o bolo quentinho mesmo. Afinal, a noite estava bastante fria.
A mulher no banco da praça levantou-se e foi até o meio da rua, abriu os braços e começou a girar.
O homem no carro parou no sinal, encostou a cabeça no volante e sentiu o corpo tão cansado que não queria nunca mais sair dali.
O cachorro foi até o poste e deitou-se próximo a ele. Abaixou as orelhas e olhou para a mulher girando no meio da rua.
O garoto deixou cair o soldadinho de chumbo o qual brincava. Resolveu ir até a cozinha para tomar um chocolate quente. Subiu e foi novamente até a janela.
Eu, Deus e Buda já não estávamos pensando em nada.
A menina estava tão contente ouvindo a história, mas ela acabou. Quando isso aconteceu, ela levantou e ficou correndo pelo jardim. Olhou para o céu e notou que algo estava errado, viu que as estrelas estavam se apagando... Isso foi motivo de uma grande tristeza e dor em seu coração. A avó que vinha na direção dos dois notou a tristeza da menina, mas apenas ficou observando. Depois de alguns minutos ela foi a sua direção e deu um abraço bem apertado. Mas isso não foi o suficiente. Apenas fez com que a dor que guardava em seu coração desprende-se, causando assim uma imensa onda de pessimismo. O avô juntou-se a elas. Todos precisavam se unir.
A mulher que girava no meio da rua parou e também viu que as estrelas se apagavam.
O homem no carro levantou a cabeça e também notou o mau.
O garoto pegou seu brinquedo e deitou-se na cama. Só queria dormir.
O cão também dormiu.
Enfim notaram que já não existia tempo nem nada. Isso foi perturbador. Todos olharam para a Lua tentando entende-la.
A Lua perguntou as estrelas o por que de elas estarem apagando.
Somos tua criação. Mesmo assim não podemos compartilhar do mesmo fascínio e egoísmo. Sabemos que precisamos manter o equilíbrio. O sol está perdendo a vontade de viver. Já não mais tem espaço. Nada mais faz sentido – falaram em tom fúnebre.
E assim iam se apagando. A Lua contestou.
Mas eu amo vocês! Faz parte de minha criatividade. Mesmo com essa explicação não entendo o por que de não haver recíproca. Isso ficou tão virtual. Platonismo! Nunca pensei que pudesse ficar tão triste. A Lua estava chorando.
Não chore Lua. Nós também te amamos. Mas como qualquer outro precisamos respeitar nossos espaços e limites – cantavam as estrelas.
Eu entendo. Mas, agora, não poderá evitar que eu definhe – chorava a Lua.
O Sol abriu os olhos e foi até a Lua. Uma imensa bola negra. Já estava prestes a apagar completamente.
Lua, mesmo com todo seu egoísmo, eu te entendo. Realmente não há nada mais bonito que suas noites frias e apaziguadoras. Mas temos que seguir o roteiro da vida, ou então tudo irá se perder. Eu também te amo. Mas creio que tu não has comparti do mesmo sentimento. Meu coração sofre por isso. Por isso sofro – chorava o Sol.
Não é verdade, Sol. Eu sempre te amei. Por isso decidi viver de egoísmo e também a dar valor ao que era de minha criação. Para manter o equilíbrio teremos que renegar o amor. Isso para mim é inaceitável! Como poderia amar alguém que só aparece quando não mais tenho força e preciso dormir e quando eu recupero minhas forças, ele está fraco demais e irá precisar dormir? Não quero viver de desencontro consciente. Meu coração também sofre.
Entenda Lua. Sempre mandarei por menores que sejam um dois meus raios que vão aquecer teu coração. Ao mesmo tempo estarei aquecendo o coração de outros bilhões de seres que também sentem a necessidade de amar. Teu momento de descanso sempre estará protegido pelo meu calor. Tu também vais poder, na minha hora de descanso, esfriar e clarear um pouco minhas noites tristes, para que eu possa me recuperar mais rápido e poder ajudar sempre as pessoas – disse recuperando as forças.
Como já disse a raposa, tu me cativaste. Tuas palavras me enriquecem. É difícil aceitar a verdade, isso é fato! Mas, com certeza, vai ser melhor para todos... Não vou me sentir sozinha recebendo teus raios todos os dias, e também jamais vou te deixar sozinho. Completamos-nos. Posso sentir teu coração bater calmamente. O meu segue o mesmo ritmo – disse alegre a Lua.
O Sol aproximou-se da Lua e os dois se fundiram. Nesse momento todos se sentiram vivos. Tudo estava melhor. Foi bom para ambos. A Lua disse que depois disso iria resistir a tudo. O momento se tornou único. Tudo ficou claro porque ainda estava nos limites do Sol. O tempo voltou a existir.
Eu estava em estado de choque. Sentia-me gasoso. Quero algo sólido. Meu coração estava em estado líquido, apesar de estar branco por ter perdido todo o sangue que me mantinha vivo. Minhas mãos estavam cobertas de sangue. Eu nunca aceitei a morte. Se tu pensares que a morte é algo como o fim, sem dúvida, ficaras com medo e tudo isso vai te corromper. Eu acredito como disse anteriormente, que vivemos nada mais para chegar a um nascimento. Dessa vez um nascimento assistido pelos nossos próprios olhos. Cada vez mais independentes. Isso é uma das razões da vida... Ser independente!
Buda e Deus me olharam.
Não temas. Teu medo está te corrompendo. Basta! Tu sofres porque teu coração foi bastante machucado durante esse breve momento até aqui. Nada do que aconteceu aqui hoje é a causa disso. Serviu para pensar em como todos são egoístas, incluindo os Deuses. Sofro por ti. Nunca vi tanto sofrimento. Parece que pede pra morrer – disse Deus.
Mas ele aprendeu Deus. Sem mais testes. Chega de sofrimento desnecessário, já tivemos demais por hoje. Pense no livre arbítrio. Vou precisar de 600 anos para conseguir minha antiga paz. Talvez essa seja minha missão. Também aprendi algo hoje – disse Buda em tom de alivio.
Eu aprendi sim. Não peço para morrer, apenas quero viver a realidade. Quero pessoas felizes – disse.
Fechei os olhos e acordei. Estava na minha cama. Minha mãe entrou, sentou-se ao meu lado e me deu um abraço. Ah! Isso deveria ser eterno.
Os avós e a menina também acordaram. Todos felizes, que bom! Ele pegou o livro e recomeçou a história. Isso era algo tão bom. A mulher entrou na casa e foi pegar copos e um jarro de suco. Coisas simples fazem tanta falta. Ela voltou e todos comeram o bolo. Ela deu um grande abraço em seu companheiro e entendeu o amor.
A mulher encontrou sua alma gêmea que também estava perdido e girando feliz pelas ruas.
O homem pensou na família e correu a toda velocidade para encontrá-la.
O menino com o boneco acordou e voltou à janela para brincar.
O cão também acordou e foi embora.
Às vezes pensamos que tudo está imperfeito, triste e sem sentido. É porque costumamos olhar com olhos superficiais e céticos. A resposta sempre está ao nosso redor. Livros são bons, mas temos que saber que são apenas palavras de uma outra pessoa que também procura respostas. Consulte seu coração. Ele é sempre fiel, coerente, brincalhão... Mas tem a maior capacidade do mundo. Sem mais explicações.
Deus e Buda apertaram as mãos e começaram vidas novas. O que parece uma idéia fantasiosa e ridícula, talvez seja uma verdade não aceita por tolos que seguem regras impostas por seus semelhantes. Liberdade aos pensamentos especiais e próprios.
A rosa branca no jardim foi cultivada pela menina e a cada dia sua beleza se tornava mais impressionante.
Eu apenas... VIVO!




Autor: Jucksch, Márcio.




*Eu creio. Eu me invento. Eu recrio minha vida todos os dias. Não vou cair no que chamam de rotina. Deus é meu alter-ego mais cretino. Mas sabemos que sempre precisamos dormir e, obrigatoriamente, sonhar. Sou clichê em momentos certos... É aceito! Somos produtos do sistema, mas isso não quer dizer que somos fúteis. Futilidade é um estilo de vida, assim como todas as outras coisas que prestam ou não. Cabe ao seu discernimento escolher o caminho correto ou fácil. Somos humanos. Erros são naturais e aceitáveis. Mas não aprender com eles é morte na certa. A vida nada mais serve do que para ser vivida. Vai logo! Temos sempre 24 horas. *